Saúde nos Bairros realiza 5.440 atendimentos e leva cuidado para mais perto da população
Ação realizada no sábado, 29/08, teve 1.716 visitas domiciliares de agentes comunitários de saúde, 409 consultas médicas e atendimento em unidades, espaços públicos, áreas rurais e domicílios

Mais perto de casa, no bairro, na praça ou até mesmo dentro da própria residência. A ação do programa Saúde nos Bairros realizada no último sábado, 29/08, contabilizou 5.440 atendimentos e levou diferentes serviços de saúde para onde a população está. Entre os atendimentos realizados estão 1.716 visitas domiciliares de agentes comunitários de saúde (ACS) e 409 consultas médicas, além de consultas de enfermagem (196), encaminhamentos médicos e de enfermagem (71), aferição de pressão arterial (593), testes de glicemia (334), rastreamento de lesões bucais (530), orientações sobre saúde bucal e atividades educativas (786) e outras atividades (805).


A mobilização envolveu equipes em unidades de saúde, espaços públicos e bairros mais distantes da área central, além de visitas domiciliares, inclusive a pacientes acamados. A proposta foi ampliar o acesso, identificar necessidades de saúde no próprio território e facilitar o encaminhamento dos moradores para os serviços disponíveis na rede municipal.

Para alguns moradores, a presença das equipes significou não precisar esperar por uma consulta ou percorrer longas distâncias em busca de atendimento.

Enquanto fazia exercícios na Praça Quilombo Corumbataí, na região de Santa Teresinha, Perla Arruda, 50 anos, aproveitou para passar pela tenda montada no local. Verificou a pressão arterial e conversou com a nutricionista, que passou orientações. “Gostei dessa ação. Poderia ter sempre”, disse.
Andrelina Cardoso, 72 anos, que caminha cerca de seis quilômetros todos os dias, também aproveitou a ação para cuidar da saúde. Além do exercício físico, verificou a pressão arterial e a glicemia. “É sempre bom poder verificar como está nossa saúde”, afirmou.
VISITAS QUE APROXIMAM – Uma das principais frentes da mobilização foi o atendimento domiciliar. As equipes de Saúde realizaram visitas em bairros da Zona Norte, incluindo áreas mais distantes da região central da cidade, como o Godinhos. Durante as visitas, os profissionais atualizaram cadastros, ofereceram orientações e identificaram necessidades que poderiam ser encaminhadas para consultas, vacinação, atendimento odontológico e outros serviços da rede.

No caso do Godinhos foram instalados dois postos volantes: um na sede da Igreja Assembleia de Deus Ministério de Belém e outro na residência da engenheira agrônoma Alessandra Pedroso Pereira, que desde 2019 disponibiliza o espaço de sua casa para ações da Prefeitura, principalmente durante o Outubro Rosa e campanhas de vacinação. Nos locais, as equipes ofereceram atendimentos médico, de enfermagem e odontológico, além de ações de prevenção e orientações de saúde.
Moradora de uma dessas regiões, Andressa Fernanda da Silva, 37 anos, costuma receber os agentes comunitários em casa. Desta vez, a visita médica veio em boa hora para o filho Ravi, de quatro meses, que apresentava dificuldade para respirar e estava com o nariz entupido.

“É importante recebê-los, principalmente minhas amigas agentes de saúde. Hoje estou sem carro e o horário de ônibus aqui é muito difícil. Eles vindo aqui fico mais aliviada, até porque o Ravi estava com dificuldade de respirar. A doutora veio junto desta vez, examinou e viu que está tudo bem com ele. Agora não vou precisar esperar até segunda-feira e acordar às 4 da manhã para ir numa consulta”, afirmou.
Para a médica Lélia Calipso Achon de Albuquerque, a aproximação entre as equipes e os moradores é fundamental para fortalecer a prevenção.
“Estamos conseguindo aproximar a população das unidades de Saúde vindo até aqui, trabalhando a prevenção, que é isso que salva vidas. Eles sempre nos recebem bem, vemos que o carinho é recíproco. Esse sucesso nos atendimentos se deve ao excelente trabalho realizado pelo nosso grupo de agentes comunitários de saúde. Sem eles isso não seria possível”, relatou.
A recicladora Ana Célia Silva, 55 anos, também recebeu a equipe em casa, ao lado do marido, Moisés Cordeiro. Segundo ela, os agentes comunitários da equipe do Jardim Primavera acompanham a família de perto.

“Nós somos atendidos pela equipe do Jardim Primavera, eles estão sempre preocupados com a gente. Trabalho com reciclagem e quase sempre estou fora de casa, então quando conseguimos recebê-los é motivo de alegria. Eles já fizeram acompanhamento do meu marido e meu também. Eu costumo me cuidar mais, fiz recentemente o exame Papanicolau, já agendei a mamografia e peguei remédio no postinho, sem dificuldade. Só temos a agradecer”, contou.
A agente comunitária de saúde Adriana Oliveira do Nascimento, que há 15 anos atua na área e atualmente tem como sede a USF Jardim Primavera, participou da ação e destacou as dificuldades enfrentadas pelos moradores que vivem em regiões mais afastadas.
“Sou ACS em área urbana e também na rural, mas é aqui que vemos a real necessidade do nosso trabalho. A gente vê a ‘lonjura de tudo’, as dificuldades que eles têm, principalmente com informação. Gosto de levar informação e prevenção a eles, esse é nosso trabalho”, afirmou.
Segundo Adriana, alguns moradores vivem a mais de cinco ou seis quilômetros de uma unidade de saúde, o que pode dificultar o acesso aos serviços.
“Isso sim é um trabalho de prevenção à saúde. Trazer médico para a população que está longe. Tomara que aconteçam mais ações como essa na cidade”, completou.
Atendimento domiciliar identifica situação de urgência

As visitas também permitiram acompanhar pacientes acamados. Foi o caso de José Roberto Zanqueta, 63 anos, morador do Parque Piracicaba (Balbo). Durante a consulta realizada pela equipe da médica Aureliana Cerqueira, foram identificados indícios de desnutrição grave. Diante da situação, a equipe acionou o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que levou o paciente para atendimento na UPA Vila Sônia.
A irmã de José Roberto, Maria Cristina Zanqueta Almada, destacou a importância de receber a avaliação médica em casa. “A avaliação e orientação de uma médica em casa é muito importante para a saúde dele”, afirmou.
Segundo Aureliana, o atendimento multiprofissional faz diferença tanto para o paciente quanto para os familiares. “Muitas vezes os familiares não entendem a gravidade do quadro do paciente. O exame clínico também tem foco no bem-estar do paciente e os familiares se sentem acolhidos com a presença da equipe”, explicou.
Outro paciente acamado visitado pela equipe foi Ivan Barbosa, 38 anos. Cuidado pela mãe, Maria da Graça, 74 anos, ele foi avaliado, recebeu vacina, receita de antibiótico para tratar uma tosse persistente e pedidos de exames. “Foi ótimo receber esses profissionais em casa. Sempre fui bem atendida no posto, mas eles virem em casa faz diferença”, disse Maria da Graça.
CUIDADO RETOMADO – Outra frente de atuação foi desenvolvida pelo Cedic (Centro de Doenças Infectocontagiosas), que realizou aproximadamente 200 testes rápidos para identificação de hepatites B e C, sífilis e HIV.
Entre os resultados, um teste reagente para HIV foi realizado em uma pessoa que já tinha diagnóstico, mas havia interrompido o tratamento, apesar de tentativas anteriores da equipe para localizá-la. Após a ação, a pessoa retornou ao centro especializado na segunda-feira para retomar o tratamento, ação que foi bastante comemorada pela equipe.
UNIDADES ABERTAS – As unidades de saúde permaneceram abertas das 8h às 16h no sábado. Uma das pacientes atendidas foi Milamara Santos, 24 anos, que recebeu o Implanon, dispositivo contraceptivo de alta eficácia e longa duração.

Mãe de Liz, de quatro meses, Milamara havia entrado em uma lista de espera depois que o método foi recomendado pelo médico. “O médico recomendou e eu entrei em uma lista de espera. Achei que ia demorar, mas na sexta-feira me mandaram mensagem marcando a agenda para sábado”, contou.
A ação do Saúde nos Bairros reuniu diferentes estratégias para aproximar os serviços da população, desde a oferta de atendimentos e ações preventivas em locais de circulação dos moradores até a busca ativa realizada pelos agentes comunitários e o atendimento domiciliar.
Para o secretário municipal de Saúde, Gustavo Aguiar, o resultado demonstra a importância de levar as equipes para dentro dos territórios e conhecer de perto as necessidades da população. “Os 5.440 atendimentos mostram a dimensão da mobilização, mas o mais importante é o que existe por trás desses números. Quando uma equipe vai até a casa de um paciente, identifica uma necessidade e consegue encaminhá-lo; quando um agente comunitário atualiza um cadastro e orienta uma família; quando conseguimos realizar uma consulta, uma vacinação ou um exame no próprio território, estamos fazendo saúde de forma preventiva e mais próxima das pessoas. Essa é a proposta do Saúde nos Bairros: conhecer a realidade de cada região, identificar as necessidades e levar o cuidado até onde a população está”, afirma.
O prefeito Helinho Zanatta destaca que a iniciativa também busca facilitar o acesso aos serviços para moradores que enfrentam dificuldades de deslocamento. “Saúde de qualidade também significa facilitar o acesso. Nem todo morador consegue se deslocar até uma unidade, seja pela distância, pela dificuldade de transporte ou pelas próprias condições de saúde. Por isso, uma ação como essa é tão importante: nossas equipes vão ao encontro das pessoas, levam informação, prevenção, atendimento e orientação. O Saúde nos Bairros aproxima a Prefeitura da população e mostra que cuidar da saúde é também estar presente nos bairros, ouvindo as pessoas e buscando soluções para as necessidades de cada comunidade”, afirma.
