Após ser mordida por cachorro, produtora cultural conhece na prática acompanhamento da Vigilância para prevenção da raiva
Em Piracicaba, mais de 3.000 acidentes por mordeduras e arranhaduras foram notificados desde 2025; vacinação de cães e gatos também é reforçada como medida de prevenção
Uma situação inesperada durante uma caminhada pela região da avenida Presidente Kennedy fez com que a produtora cultural Laura Castralli precisasse procurar atendimento médico e passasse a conhecer, na prática, como funciona o serviço de acompanhamento de pessoas expostas ao vírus da raiva.
Laura caminhava pela região quando viu um cachorro ser atropelado. Ela e outras pessoas que estavam no local auxiliaram no socorro ao animal. Durante a tentativa de ajudar, porém, Laura acabou sendo mordida.
O cachorro foi levado para uma clínica veterinária, mas morreu. Ao chegar em casa, Laura contou à mãe o que havia acontecido e foi orientada a procurar um serviço de saúde. Ela foi até a UPA Vila Rezende, onde recebeu a primeira dose da vacina antirrábica e foi orientada sobre a continuidade do acompanhamento.

A partir da notificação do acidente, a Vigilância Epidemiológica passou a acompanhar o caso. A equipe entra em contato com o paciente para verificar e complementar as informações necessárias à investigação, como data e local do acidente, tipo de exposição, espécie do animal agressor, possibilidade de observação do animal, características da lesão, atendimento já realizado e histórico de vacinação antirrábica.
No caso de Laura, a Vigilância fará o acompanhamento para garantir a continuidade do tratamento, conforme a indicação definida para o caso. A noticação
MAIS DE 3.000 NOTIFICAÇÕES DESDE 2025
A notificação dos acidentes antirrábicos à Vigilância Epidemiológica é fundamental para identificar e acompanhar oportunamente as pessoas potencialmente expostas ao vírus da raiva.
Em Piracicaba, foram 3.072 casos notificados de atendimento antirrábico humano por arranhadura e/ou mordedura entre 1º de janeiro de 2025 e 10 de setembro de 2026. Foram 1.761 notificações em 2025 e outras 1.311 em 2026. Os dados de 2026 são provisórios. Essas notificações são de pessoas que foram atendidas porque correram algum risco de ter a raiva, mas não há nenhum registro da doença em humanos no município.
Os cães representam a maioria das ocorrências. No período analisado, foram 2.353 notificações envolvendo animais da espécie canina, sendo 1.366 em 2025 e 987 em 2026. Na sequência aparecem os gatos, com 611 ocorrências.
DOSES APLICADAS
A vacinação antirrábica é indicada de acordo com a avaliação de cada situação de exposição e com o protocolo de profilaxia da raiva humana.
Em 2025, foram aplicadas 2.444 doses da vacina antirrábica para profilaxia pós-exposição. Em 2026, até 11 de setembro, foram 1.876 doses, totalizando 4.320 doses aplicadas no período. Os dados de 2026 são provisórios.
Em relação ao número de pessoas vacinadas após acidentes por arranhadura e/ou mordedura, foram 596 em 2025 e 364 em 2026, até 10 de setembro, totalizando 960 pessoas.
A diferença entre o número de pessoas vacinadas e o total de doses aplicadas ocorre porque o esquema de profilaxia pode envolver mais de uma dose para uma mesma pessoa.
ATENDIMENTO – Após receber a ficha de notificação compulsória, a equipe da Vigilância Epidemiológica realiza contato com o paciente para verificar e complementar as informações necessárias à investigação.
São avaliados dados como a data e o local do acidente, o tipo de exposição, a espécie do animal agressor, a possibilidade de observação do animal, as características da lesão, o atendimento já realizado e o histórico de vacinação antirrábica do paciente.
Com base nessas informações e no protocolo de profilaxia da raiva humana do Ministério da Saúde, é definida a conduta. Quando indicada a vacinação antirrábica, a aplicação é realizada na UPA Vila Rezende. Quando há indicação de soro antirrábico, o agendamento é realizado nas demais UPAs, garantindo a continuidade ou a adequação do cuidado ao paciente.
O atendimento não termina necessariamente na primeira ida à unidade de saúde. A partir das informações registradas, a equipe acompanha o caso, entra em contato com o paciente e orienta sobre a necessidade de vacinação e a continuidade do esquema, quando indicado.
O contato com os pacientes pode ser feito por telefone, WhatsApp ou por meio de visita domiciliar. Por isso, a Secretaria Municipal de Saúde reforça a importância de manter atualizados os dados cadastrais, especialmente telefone e endereço.
VACINAR PARA PREVENIR – A prevenção da raiva também passa pela vacinação dos animais. Em Piracicaba, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) realiza a vacinação antirrábica de cães e gatos.
De janeiro a agosto de 2026, foram vacinados 546 cães, contra 413 no mesmo período de 2025, aumento de 32,2%. Entre os gatos, foram 633 animais vacinados, contra 558 de janeiro a agosto do ano passado, crescimento de 13,4%.
Considerando cães e gatos, foram 1.179 animais vacinados nos primeiros oito meses de 2026, contra 971 no mesmo período de 2025, aumento de 21,4%. O levantamento do CCZ registra a vacinação nas regiões Norte, Sul, Leste, Oeste, Centro e Rural do município.

A vacinação dos animais é uma das medidas de prevenção da raiva e, associada à guarda responsável, contribui para reduzir o risco de transmissão da doença.
O QUE FAZER?
Em caso de mordida ou arranhadura provocada por animal, a orientação é procurar atendimento em um serviço de saúde para avaliação da exposição e definição das medidas necessárias.
É importante informar, sempre que possível, as circunstâncias do acidente e o animal envolvido. Essas informações ajudam a Vigilância Epidemiológica a realizar a investigação e definir, de acordo com o protocolo, a necessidade de vacinação e/ou outras medidas de prevenção.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça que não se deve esperar o aparecimento de sintomas para procurar atendimento, a importância da vacinação dos animais, da guarda responsável e da procura por atendimento de saúde em caso de mordedura ou arranhadura.
RAIVA
A raiva é uma doença viral grave e, após o aparecimento dos sintomas, apresenta alta letalidade. A prevenção após uma exposição de risco depende da avaliação adequada e do cumprimento das medidas indicadas pelos profissionais de saúde.
A vacina contra a raiva é feita gratuitamente no Centro de Controle de Zoonoses, localizado na rua Dionísio Dal Picolo, 21, no bairro Jupiá, de segunda a sexta-feira das 7h às 15h30 e aos sábados, domingos e feriados, das 7h às 12h.