Grupo de gestantes transforma rotina de mães e fortalece rede de apoio na USF Gran Park
Encontros quinzenais oferecem orientações, apoio emocional, visitas domiciliares e enxoval para futuras mães
O primeiro grupo de gestantes e puérperas criado pelas agentes comunitárias de saúde Janaíne Porsebom, Talita Lescovar e Sarita Martinez, da USF Gran Park, unidade que tem aproximadamente 3 anos e 4.000 moradores cadastrados, reuniu apenas três mulheres. O segundo encontro teve seis participantes. Já o terceiro ciclo, encerrado esta semana após oito encontros quinzenais, precisou reorganizar as cadeiras da sala para acomodar todas as mães interessadas em acompanhar a palestra da psicóloga Lia Giannechini.


Entre os temas abordados estavam rede de apoio, culpa, vergonha, limites e acolhimento — palavra que marcou a experiência de Francilene Araújo, de 39 anos, mãe de Ana Júlia Machado, de 45 dias.

Após três abortos espontâneos, Francilene conta que viveu a gestação com muita sensibilidade emocional. “As agentes me passaram muitas informações. Foram até minha casa, mostraram como fazer quando a Ana Júlia nasceu. Elas têm muita paciência e me deixaram segura e confiante”, relata, enquanto segura a filha no Cantinho da Amamentação criado pela unidade para acolher mães e incentivar o aleitamento materno.
Izaiene Santos, de 24 anos, também chegou fragilizada ao grupo durante a gestação do filho Bernardo, hoje com dois meses. Mãe de outra criança, de 4 anos, ela conta que a primeira experiência com a maternidade deixou inseguranças que interferiram até na amamentação.

“Hoje sou uma mãe totalmente diferente. Não consegui amamentar meu primeiro filho, que chorava bastante, talvez pela minha insegurança. Agora, orientada pelas meninas, consegui criar esse vínculo com meu filho. Essa rede de apoio é muito importante”, afirma.
Além dos encontros quinzenais, as agentes comunitárias mantêm contato constante com as gestantes, colocando-se à disposição para orientar, ouvir e acompanhar as mães também fora da unidade de saúde.
As reuniões incluem orientações práticas, como aulas de primeiros socorros ministradas por integrantes do Corpo de Bombeiros, além das visitas domiciliares realizadas regularmente pelas agentes.
A participação contínua no grupo também garante um apoio importante para as futuras mães: um enxoval confeccionado pelo grupo voluntário Artesãs do Amor, com apoio da Prefeitura.
Composto por cobertor, manta, roupinhas e fraldas, o enxoval emocionou Fernanda dos Reis, de 27 anos, grávida da primeira filha, Talyah. “Vai me ajudar bastante”, disse. Sobre os encontros, ela destaca principalmente as orientações sobre o plano de parto. “Foi tudo muito esclarecedor.”
Ao encerrar as atividades do ciclo, a enfermeira responsável pela unidade, Maria Elisa de Campos, destacou o envolvimento das agentes comunitárias. “Elas fazem o que gostam e gostam muito do que fazem”, afirmou, resumindo o tom afetivo que marcou o encontro.