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‘Se não fossem elas, não sei o que seria de mim’: o cuidado que chega em casa e transforma vidas

Entre visitas, orientações e acolhimento, equipes de saúde constroem vínculos e transformam a rotina de famílias em momentos de fragilidade

Por CCS / Publicado em 24/04/2026
Tempo de leitura: 7 minutos.
A imagem mostra um grupo de seis mulheres reunidas em torno de uma mulher idosa que está deitada em uma cama hospitalar. A mulher idosa, que parece frágil, está deitada de costas, apoiada por travesseiros e coberta por um cobertor com estampa. As outras mulheres estão em pé ao redor da cama, olhando para ela com expressões de cuidado e atenção, sugerindo um ambiente de apoio e preocupação. Algumas delas usam roupas que lembram uniformes hospitalares, como jalecos ou scrubs, enquanto outras vestem roupas casuais. A iluminação é suave e a cena transmite um sentimento de acolhimento e solidariedade, possivelmente em um ambiente hospitalar ou de cuidado de saúde.
Equipe em atendimento à dona Maria e seus familiares

“Se não fossem elas, não sei o que seria de mim.” A frase, dita com emoção por Célia Luiz, responsável pelos cuidados de dois sobrinhos Simone, de 51 anos, e William, de 50, resume o impacto de um serviço que vai muito além da assistência em saúde. O Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), da Secretaria Municipal de Saúde, leva atendimento médico e multiprofissional até a casa de pacientes em situações delicadas — e, junto com ele, chegam também acolhimento, orientação e vínculo.

A imagem mostra um grupo de sete mulheres abraçadas em um círculo apertado, demonstrando afeto e amizade. Elas estão ao ar livre, em um espaço que parece ser um jardim ou pátio, com árvores e plantas ao fundo, além de uma parede laranja de um prédio. O chão é de pedra e concreto. As mulheres têm idades e etnias variadas, e estão sorrindo, transmitindo felicidade e união. Algumas vestem uniformes, possivelmente de trabalho, em tons de azul claro e rosa, enquanto outras estão com roupas casuais, como camisetas e jeans. A luz do dia ilumina suavemente a cena, sugerindo que é fim de tarde. A imagem transmite uma sensação de calor humano, companheirismo e alegria.
‘Abraço coletivo’ é um símbolo que mostra o vínculo entre familiares e equipes do SAD

Para muitas famílias, o primeiro contato com o SAD acontece em um momento de fragilidade: após um diagnóstico difícil, uma internação ou a necessidade de cuidados contínuos. É nesse cenário que o serviço se apresenta como apoio essencial.

A imagem mostra três pessoas vestidas com equipamentos de proteção individual (EPI), incluindo aventais descartáveis, máscaras e luvas, provavelmente profissionais de saúde ou cuidadores. Elas estão em um ambiente doméstico, possivelmente um quarto, dado que há uma cama com roupa de cama estampada e uma cabeceira de madeira. Uma das pessoas está ajustando o travesseiro ou cobertor da cama, outra está inclinada sobre a cama, aparentemente cuidando de algo ou alguém, e a terceira está em pé, observando ou auxiliando. Ao fundo, é possível ver parcialmente uma cadeira de rodas, o que sugere que podem estar cuidando de uma pessoa com mobilidade reduzida. A iluminação é suave e natural, e o ambiente transmite uma sensação de cuidado e atenção.
Equipes fazem atendimento personalizado, conforme necessidades dos pacientes
A imagem mostra quatro mulheres posando juntas em um ambiente interno, possivelmente uma sala de estar ou uma área comum. Três delas estão vestindo uniformes médicos azuis, sugerindo que são profissionais de saúde. A mulher mais à direita é mais velha e veste uma blusa azul-marinho sem mangas com um padrão circular em tons de rosa e branco, além de calças azuis. Todas estão sorrindo, transmitindo uma sensação de amizade e companheirismo. Ao fundo, há um sofá cinza reclinável e outra poltrona preta, com piso de cerâmica clara. A iluminação é boa e natural, indicando que a foto foi tirada durante o dia.
Giovana Marques, Miriele Lopes, Miriam Bonatti, do SAD e Célia Luiz, cuidadora dos dois sobrinhos

Integrado ao Programa Melhor em Casa, do Ministério da Saúde, o SAD tem como principal objetivo evitar internações prolongadas e promover a recuperação no ambiente familiar, com mais conforto e qualidade de vida. A proposta é simples, mas potente: cuidar das pessoas onde elas vivem.

Foi assim com Maria Lúcia Mendes Ribeiro, filha de Antonia, de 83 anos. Após uma internação, dona Antonia voltou para casa, com uma sonda para alimentação, exigindo cuidados constantes.

“Eu estava muito preocupada, perdida mesmo. Não sabia como fazer”, relembra. Três dias depois, a equipe chegou à casa da família, no bairro Nova Suíça. Vieram orientações, segurança e, aos poucos, tranquilidade.

“O trabalho é maravilhoso”, diz Maria Lúcia, que divide os cuidados com a neta, Cely.

A cena se repete em diferentes pontos da cidade. Profissionais que atravessam bairros, entram nas casas e, com conhecimento técnico e escuta atenta, ajudam a reorganizar rotinas e devolver confiança a quem cuida.

ALÉM DO ATENDIMENTO CLÍNICO – O SAD atende pacientes com diferentes necessidades: pessoas que sofreram AVC e enfrentam limitações no dia a dia, pacientes em recuperação pós-cirúrgica, pessoas que precisam de curativos complexos ou medicação intravenosa, além de casos que exigem uso contínuo de oxigênio ou ventilação mecânica.
As equipes são formadas por médico, enfermeiro, fisioterapeuta e técnicos de enfermagem, com apoio de profissionais como terapeuta ocupacional, psicóloga, assistente social, dentista, fonoaudióloga e nutricionista.

Cada atendimento é planejado de forma individualizada, respeitando as necessidades de cada paciente. As visitas são periódicas — ao menos uma vez por semana — e podem ser intensificadas conforme o quadro clínico.

O cuidado não se limita ao paciente. “Também olhamos para quem cuida”, explica a enfermeira Rute Nobre, responsável por uma das equipes do programa. Entre as ações, estão práticas integrativas, como uso de florais e óleos essenciais, além de apoio psicológico.

É esse suporte que faz diferença na rotina de Célia Luiz, responsável pelos cuidados dos sobrinhos Simone, de 51 anos, e William, de 50.

“Se não fossem elas, não sei o que seria de mim”, conta. Ela descreve o serviço como “maravilhoso” e destaca não só o atendimento aos pacientes, mas também o apoio que recebe da equipe coordenada pela enfermeira Miriam Bonatti. “Tem uma psicóloga que vem conversar comigo. Isso ajuda muito.”

O vínculo criado ao longo do tempo entre as equipes e as famílias é um dos pilares do programa.

EM CRESCIMENTO – Atualmente, o SAD conta com quatro equipes principais e uma equipe de apoio. E deve crescer.
Estão em fase de habilitação, junto ao Ministério da Saúde, uma equipe multiprofissional com foco pediátrico e outra voltada aos cuidados paliativos — uma resposta ao aumento das doenças crônicas e ao envelhecimento da população.

“A ampliação representa um avanço importante e atende a uma demanda crescente da população”, explica a coordenadora do programa, Erica Toledo.

O Serviço de Atenção Domiciliar completa 30 anos em 2026. Ao longo dessa trajetória, já atendeu aproximadamente 7.200 pacientes em Piracicaba.

O atendimento funciona todos os dias, das 7h às 19h, com suporte contínuo às famílias. A sede do serviço, na avenida Piracicamirim, 3.139, também realiza acolhimento, cadastro e orientação aos cuidadores.

O acesso ao programa segue critérios técnicos definidos pelo Ministério da Saúde, garantindo que o atendimento chegue a quem realmente precisa.

Além disso, o SAD atua em articulação com outros serviços e instituições, como CRAS, CREAS, Defensoria Pública e instituições de ensino — ampliando a rede de cuidado e proteção.

A trajetória de 30 anos do programa será destacada em uma Moção de Aplausos proposta pelo vereador Fábio Silva, que será entregue no dia 27 de abril.

ELO PODEROSO – Entre equipamentos, protocolos e visitas programadas, o que se constrói no dia a dia do SAD vai além da assistência. É presença. É escuta. É cuidado compartilhado.
E, para quem está do outro lado, enfrentando a rotina muitas vezes silenciosa do cuidar, isso faz toda a diferença.

“Se não fossem elas…”, repete Célia. E a frase, simples, diz tudo.


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