Passeata da Luta Antimanicomial reforça cuidado em liberdade e inclusão social
Evento promovido pela Secretaria de Saúde reuniu usuários dos Caps, familiares, profissionais e estudantes em mobilização pelos direitos das pessoas em sofrimento psíquico

Produzida especialmente para a participação na passeata da Luta Antimanicomial, Silvia Pereira da Silva, que frequenta o Caps Bela Vista há dois meses, contou que o visual — complementado por uma peruca rosa-choque e um cartaz colorido com a frase “Sou louca pela vida” — foi pensado como uma forma de expressar e celebrar a liberdade. “Eu amo a vida e no Caps me senti muito acolhida. É um local em que olham para você, te compreendem e te entendem”, disse.

O evento, organizado pelo Departamento de Atenção Psicossocial da Secretaria Municipal de Saúde para encerrar as atividades de maio — mês dedicado à mobilização pela saúde mental — reuniu pacientes, profissionais da rede, familiares, estudantes de Psicologia da Anhanguera, Anhembi Morumbi e Fatep, além da comunidade.
Geraldo Alves, de 57 anos, frequenta o Caps Vila Cristina há 20 anos e também participou da passeata. “As amizades que fiz ao longo deste tempo é o que mais gosto do Caps”, contou. Ele também destacou o trabalho realizado na horta da unidade. “Faço a manutenção e gosto bastante”, relatou.

Psiquiatra do Caps AD e do Caps Bela Vista, Natalia Braz destacou a importância da mobilização para reafirmar direitos conquistados na saúde mental. “Temos muitos dias de luta para não perder direitos, como o tratamento em liberdade, próximo da família. Hoje também é dia de celebrar”, afirmou.

Os participantes saíram da Estação da Paulista após um café da manhã comunitário e apresentações musicais. A passeata reforçou a importância da inclusão social, do cuidado em liberdade e da superação dos estigmas relacionados ao sofrimento psíquico.
Ao longo de maio, outras atividades também promoveram sensibilização, escuta e diálogo sobre saúde mental, reunindo profissionais, usuários dos serviços, familiares, estudantes e a população em uma programação especial preparada pela Secretaria Municipal de Saúde e voltada ao fortalecimento da rede de cuidado integral.
As ações também marcam, em 2026, os 25 anos da Lei da Reforma Psiquiátrica, marco histórico na construção de um modelo de atenção psicossocial baseado na autonomia, independência e reinserção social das pessoas em sofrimento psíquico.
A programação foi organizada com a proposta de ampliar o debate coletivo sobre avanços, desafios e estratégias territoriais de cuidado, fortalecendo a aproximação entre serviços, população e rede de apoio.
“A luta antimanicomial reforça a importância de um cuidado em saúde mental baseado no acolhimento, no respeito e na liberdade. Os Caps têm justamente esse papel de oferecer atendimento próximo da comunidade, fortalecendo vínculos familiares e sociais e garantindo que as pessoas em sofrimento psíquico sejam cuidadas com dignidade, autonomia e inclusão”, destacou a coordenadora da Atenção Psicossocial da Secretaria Municipal de Saúde, Carolina Albuquerque.