Exposição Caipiras: Das Tropas à Moda de Viola começa neste domingo, 27/09, na Pinacoteca de Piracicaba
Mostra reúne cerca de 50 obras do acervo da Pinacoteca de São Paulo para repensar a figura emblemática do caipira paulista
A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, e a Pinacoteca Municipal Miguel Dutra de Piracicaba apresentam, a partir deste domingo, 27/09, a exposição Caipiras: das tropas à moda de viola. Com curadoria de Yuri Quevedo, a mostra reúne cerca de 50 obras de 28 artistas do acervo da Pinacoteca de São Paulo. A entrada é gratuita.
“Levar a exposição Caipiras: das tropas à moda de viola para a Pinacoteca de Piracicaba é reafirmar nosso compromisso de fazer a cultura chegar a todo o território paulista. Valorizar o interior, fazendo circular pelas regiões do estado as obras que normalmente ficam expostas na capital, é reconhecer a força das nossas raízes, ampliar o acesso da população a grandes experiências culturais e fortalecer a identidade que faz de São Paulo um estado plural e diverso”, afirma Marilia Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
A exposição faz parte do programa CULTSP na Estrada, uma iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo que leva ações culturais, serviços e informações sobre políticas públicas de cultura a diferentes regiões do estado. A mostra chega a Piracicaba como um desdobramento de Caipiras: das derrubadas à saudade” exposição que ocupou o edifício Pina Luz entre novembro de 2024 e maio de 2025.
Caipiras: das tropas à moda de viola propõe um exercício crítico sobre a construção dessa figura emblemática pelos artistas do fim do século XIX, revelando as tensões raciais por trás das pinturas, além de permitir que o público de Piracicaba veja de perto obras históricas do acervo da Pinacoteca de São Paulo — entre elas, trabalhos de artistas com fortes ligações com a cidade, como Almeida Júnior, Miguelzinho Dutra e Pedro Alexandrino.
“Essas pinturas têm tempo histórico e muitas vezes se afastam da vida caipira fora das telas: são fruto do projeto político de uma elite cultural empenhada na modernização de São Paulo e na construção de um lugar destacado para o estado frente às outras unidades da federação. Os caipiras foram eleitos, no século XIX, como a figura ancestral dos paulistas, uma origem calcada numa ideia racista de mestiçagem, que apostava no encontro de indígenas com europeus e na exclusão da população negra”, explica Yuri Quevedo, curador da Pinacoteca e da exposição em Piracicaba.

Organizada a partir do acervo da Pinacoteca de São Paulo, Caipiras: das tropas à moda de viola se divide em três núcleos temáticos: A construção dos caipiras; Tropeiros; e Os tempos mudam: a moda de viola e a nostalgia.
OBRAS – Almeida Júnior (Itu, SP, 1850 – Piracicaba, SP, 1899) é o nome central da mostra, com obras que atravessam os três núcleos: as primeiras versões de Caipira Picando Fumo e Amolação Interrompida (ambas de 1893), o Estudo para Cabeça de Caipira (1893), Nhá Chica (1895), Apertando o Lombilho (1895), Cozinha Caipira (1895), o Estudo para “Caipiras Negaceando” (1888), o Estudo para “Partida da Monção” (1897) e paisagens como Paisagem Fluvial e Paisagem do Sítio Rio das Pedras (ambas de 1899). Encerra o conjunto O Violeiro (1899), uma das telas mais emblemáticas do artista, na qual a figura do caipira ganha contornos de personagem dramático. A mostra reúne ainda o Retrato do Dr. Cesário Motta, médico e político que teve papel decisivo na encomenda de obras regionalistas para o acervo do então Museu Paulista.
Entre os demais artistas, destacam-se Henrique Bernardelli, com Cabeça de Negro (1899) e Bandeirante e Índia (Prólogo) (c. 1895); Monteiro França, com Ressonando (1906) e Cabeça de Negro (s.d.); e o alemão Johann Moritz Rugendas, com a litografia Défrichement d’une forêt [Derrubada de uma floresta] (entre 1827 e 1835), um dos registros mais antigos da mostra sobre o desmatamento no Brasil. O francês Jean Baptiste Debret comparece com a litografia Blanchisseuses à la rivière/Maquignons paulistes (1835), enquanto Miguelzinho Dutra (Itu, SP, 1812 – Piracicaba, SP, 1875), patrono da Pinacoteca Municipal de Piracicaba, está representado por um conjunto de aquarelas de viagem da década de 1840, registros de paisagens do interior paulista.
ARTISTAS – A mostra Caipiras: das tropas à moda de viola traz obras de: Adrien Henri Vital van Emelen, Alfredo Norfini, Almeida Júnior, Antonio Parreiras, Antonio Rocco, Aurélio Figueiredo, Benjamin Parlagreco, Carlo de Servi, Dario Villares Barbosa, Enrique Martínez Cubells y Ruiz, Georges Capgras, Henri Nicolas Vinet, Henrique Bernardelli, Henrique Manzo, Henry Chamberlain, Jean Baptiste Debret, João Baptista da Costa, José Pinelo Llull, Johann Moritz Rugendas, Luís Graner, Mario Villares Barbosa, Maximilian zu Wied-Neuwied, Miguelzinho Dutra, Monteiro França, Oscar Pereira da Silva, Pedro Alexandrino, Pierre Calmettes e Souza Pinto.
SERVIÇO – Caipiras: das tropas à moda de viola. De 27/09 a 06/12, na Pinacoteca Municipal Miguel Dutra / Parque do Engenho Central (av. Maurice Allain, 454 — Vila Rezende). Visitação gratuita, de terça a domingo, das 9h às 17h. Informações: (19) 3412-3770.
