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Dia do Médico: Medicina da Família e Comunidade foca no vínculo e no cuidado com pessoas para além da doença

Na Rede Municipal de Saúde, 54 equipes e mais 114 profissionais, entre médicos de Saúde da Família e residentes, atuam na área que trata cada pessoa de acordo com sua realidade, com influência direta no tratamento

Por e-iponte / Publicado em 16/10/2026
Tempo de leitura: 7 minutos.

Cuidar da saúde vai muito além de identificar sintomas, estabelecer diagnósticos e prescrever tratamentos. Envolve escuta, acolhimento, conhecimento da história de cada pessoa e construção de vínculos com o paciente em diferentes fases da vida. Na Rede Municipal de Saúde, 54 equipes de Saúde da Família e 54 médicos de Saúde da Família, além de 60 médicos residentes, atuam na Medicina de Família e Comunidade, especialidade focada na Atenção Primária à Saúde (APS) e principal porta de entrada do SUS (Sistema Único de Saúde (SUS). Para celebrar o Dia do Médico (18/10), o médico de família e comunidade Antônio Carlos da Fonseca Bicheiro, a residente em formação Bárbara Louise de Azevedo Marques e o paciente Marcelo Roncato contam um pouco da importância dessa relação de confiança que influencia diretamente no tratamento.

Servidor público municipal há 28 anos e médico de família e comunidade há 26 anos, Antônio Carlos da Fonseca Bicheiro, atua na USF 1º de Maio, é coordenador do programa de residência médica do município e preceptor de estágio da Universidade Anhembi Morumbi.

O paciente Marcelo Roncato está sentado num consultório médico a conversar com o médico Antonio Carlos da Fonseca durante uma consulta de acompanhamento.
Marcelo Roncato é atendido pelo médico Antonio Carlos há 20 anos

Ao longo da carreira, acompanhou pacientes em diferentes momentos da vida, do pré-natal aos cuidados com idosos. Essa convivência permite conhecer não apenas o histórico clínico de cada pessoa, mas também sua realidade familiar e social, aspectos que podem influenciar diretamente o processo de adoecimento e as possibilidades de tratamento.

Para o médico, a competência técnica é indispensável, mas a dimensão humana também dá significado à profissão. Gestos simples, como um aperto de mão, um abraço ou uma palavra de agradecimento, permanecem na memória e reforçam a importância da relação construída com a comunidade.

“Esse acolhimento humanizado, a criação do vínculo com o paciente faz toda a diferença”, aponta.

VÍNCULO CONSTRUÍDO – A experiência do aposentado Marcelo Roncato, de 57 anos, traduz essa relação de confiança. Há 20 anos, ele é paciente do Dr. Antônio e destaca o acolhimento recebido na unidade de saúde e a proximidade desenvolvida com o médico ao longo desse período.
“Essa unidade de saúde é 200%. O acolhimento é muito bom e construí uma relação com o Dr. Antônio que vai além do cuidado do paciente e médico”, afirma Marcelo.

O relato evidencia uma característica importante da Medicina de Família e Comunidade: a continuidade do acompanhamento permite que o profissional conheça a história do paciente, compreenda suas necessidades e estabeleça uma relação que ultrapassa o atendimento pontual.

OLHAR DIFERENCIADO – Essa compreensão também faz parte da formação da médica residente Bárbara Louise de Azevedo Marques, de 29 anos, que iniciou a residência em 2025. Desde a faculdade, ela já tinha o desejo de compreender o paciente de maneira integral, considerando não apenas os aspectos biológicos, mas também os contextos mental, emocional, social e espiritual.
“Desde que entrei na faculdade tive esse anseio de ver o paciente como um todo. Não apenas as questões biológicas, mas o contexto mental, emocional, social e até espiritual por trás de cada pessoa”, relata.

Durante a residência, uma das experiências que mais chamaram sua atenção foi observar o vínculo construído por seu preceptor com os pacientes. “Ao apresentar um caso clínico, Antônio não se limita a relatar sintomas e diagnósticos, também contextualiza a história de vida da pessoa e de sua família”, destaca.

Para Bárbara, essa maneira de compreender cada paciente reforça a percepção de que, por trás de uma doença ou de determinado comportamento, existe um ser humano com experiências, dificuldades e circunstâncias que influenciam a forma como vive e se relaciona com o mundo.

A residente Bárbara Marques, vestindo farda preta, sorri ao lado do médico Antonio Carlos da Fonseca, que está sentado à secretária num consultório de atendimento da rede municipal.
A residente Bárbara Marques e o médico Antonio Carlos da Fonseca destacam a importância da criação de vínculos com os pacientes

“O tratamento precisa caber na vida do paciente”
Na prática da Medicina de Família e Comunidade, conhecer a realidade de cada pessoa também ajuda a construir condutas mais adequadas. Bárbara explica que a medicina baseada em evidências oferece referências para o tratamento, mas existe uma diferença entre aquilo que seria ideal e o que é possível realizar diante das condições de vida de cada paciente.

Dificuldades para seguir uma recomendação nem sempre estão relacionadas à falta de interesse ou de compromisso com a própria saúde. Muitas vezes, envolvem barreiras sociais, econômicas, familiares ou de rotina que só se tornam visíveis quando o profissional se aproxima dessa realidade.

Em algumas situações, a visita domiciliar permite compreender melhor as condições de moradia, os hábitos e os obstáculos enfrentados pelo paciente, possibilitando adaptar o tratamento às suas necessidades.

“Ser médico de família é entender que não basta saber qual é o melhor tratamento para determinada doença. É preciso entender qual é o melhor tratamento possível para aquela pessoa, dentro da realidade em que ela vive. Porque não adianta prescrever o tratamento ideal se ele não cabe na vida de quem precisa dele”, destaca a residente.

“Para mim é a parte mais linda da Medicina de Família e Comunidade, e o tipo de visão que eu tento ter todos os dias na minha prática clínica”, afirma Bárbara, ao falar sobre o significado de cuidar para além da doença.


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