Codepac homenageia Almir Maia e delibera sobre ações de restauro
Na quarta-feira (3), em reunião extraordinária, o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba (Codepac), o Monsenhor Jamil Nassif Abib pediu que o artigo da jornalista Beatriz Elias, intitulado “Almir Maia, memória e esquecimento”, publicado no Jornal de Piracicaba, dia 2 de junho, na página 3, fosse anexado à ata da reunião, como registro de sua morte, no dia 27 de maio, aos 69 anos. Foi a forma que encontrou de homenagear o ex-reitor da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), que além de vice-presidente do Codepac, era um ferrenho defensor do patrimônio arquitetônico de Piracicaba. A reunião foi aberta com a leitura do texto de Beatriz e logo em seguida foi requerido o voto de pesar. No artigo, a jornalista faz homenagem ao professor Almir Maia, destaca alguns pontos que considera sagrados para a cultura acadêmica de Piracicaba, que levam sua marca, como o Teatro Unimep e a Biblioteca, ambos do Campus Taquaral, e dedica atenção especial ao Centro Cultural Martha Watts, uma das mais expressivas obras do ex-reitor, local onde se encontram hoje preservados documentos e muitas histórias e memórias da instituição metodista na cidade. Muito próxima de homenageado, Beatriz recorda momentos que, segundo ela, revelam o estilo aplicado e sincero de um homem que dedicou todo seu empenho à educação e ao ensino. Observa ainda que mesmo sendo pouco compreendido pelos seus pares, Almir Maia sempre foi um fiel defensor da igreja metodista, por intermédio da qual desenvolveu sua fé até o fim da vida. Decisões do Codepac Na reunião extraordinária, foram decididas duas questões. A primeira se refere à Vila Heloísa, no Monte Alegre, um conjunto de casas logo na entrada do bairro, que preservam ainda sua arquitetura original e são tombadas como patrimônio da cidade. Os imóveis poderão agora ser restaurados para a realização, neste ano, do Village Arte Decor, programado para acontecer de 14 de outubro a 29 de novembro. O evento terá como cenários barracões desativados e antigas casas de operários da Usina Monte Alegre, num espaço de 4.000 metros quadrados dividido em 25 ambientes internos e externos. Inclui palestras e workshops, gastronomia, música, artes plásticas e história. O serviço de restauro será feito pelos próprios arquitetos que participarão do Village Arte Decor, onde mostrarão aspectos de suas atividades. A perspectiva é que a recuperação das casas comece ainda em junho. A segunda decisão diz respeito ao monumento ao Soldado Constitucionalista de 1932, da Praça José Bonifácio, que também passará por restauro. Serão eliminadas as corrosões, as partes quebradas e ganhará ainda uma nova placa de metal. O serviço será realizado pela Fundiart, tendo como restaurador Eduardo Santos, professor do curso de fundição de bronze, da Fundação de arte de Ouro Preto – MG (FAOP). Ele é também membro da Accademia Intenazionale D'Arte Moderna, Roma (AIAM). Na bagagem de trabalhos realizados por Eduardo Santos estão o restauro da obra de Belmiro de Almeida (Manequinho) e da obra de Victo Brecheret (Musa Impassível), ambos da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Ele trabalhou ainda no Museu Lasar Segall, no restauro da obra Família, do artista que dá o nome ao espaço, e na Fundação Victor Brecheret, no restauro de obras do próprio escultor. De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Rogério Vidal, a prefeitura está em processo de elaboração de um anteprojeto de reforma da Praça José Bonifácio. “Antecipando a esse evento, vamos restaurar os monumentos para que, melhor preservado e iluminado, amplie o olhar da população sobre a importância da praça para a convivência social, a cultura e o lazer”, disse.
