Aposentado abandona o cigarro com apoio de grupo da rede municipal de saúde
Foram mais de seis décadas de vício; apoio veio do grupo antitabagismo da USF Chapadão II, que também o ajudou a vencer a dependência do álcool
Fumante desde os 9 anos de idade e chegando a consumir até três maços de cigarro por dia, o aposentado Sergio Ali, de 72 anos, encontrou no grupo de combate ao tabagismo da USF (Unidade de Saúde da Família) Chapadão II o incentivo que precisava para abandonar um hábito que manteve por mais de seis décadas. Hoje, transformado em exemplo para os demais participantes, ele é considerado o mascote do grupo.

A conquista ganhou um significado ainda maior porque, junto com o cigarro, Sergio também deixou o álcool. “Fumava três maços de cigarro e tomava um litro de pinga por dia”, relembra.
A mudança começou em março, quando a agente comunitária de saúde Claudineia Silva perguntou à esposa de Sergio, Maria de Lourdes Diehl, se ela conhecia alguém interessado em participar do grupo antitabagismo.
Ela pensou imediatamente no marido, mas confessa que não acreditava muito que ele aceitaria o convite. “No dia da primeira reunião não consegui acompanhá-lo. Ele foi sozinho, voltou animado e continuou participando. Foi ali que decidiu parar de fumar”, conta Lourdes.
Desde então, Sergio percebe mudanças importantes na qualidade de vida. O paladar melhorou, o sono ficou mais tranquilo e até a convivência social mudou. “Percebia que muitas vezes as pessoas evitavam ficar perto de mim por causa do cheiro do cigarro. Hoje isso mudou.”

Apesar da conquista, ele reconhece que abandonar o cigarro exige persistência. “Dou um passo por dia”, resume.
O sucesso do grupo surpreendeu até a equipe da unidade. Dos oito participantes que iniciaram as atividades, sete conseguiram parar de fumar. O único que ainda não abandonou o cigarro já manifestou interesse em participar da próxima turma, que será formada pela unidade.
Para a agente comunitária de saúde Claudineia Silva, que convidou Sergio para participar do grupo, acompanhar essa transformação foi emocionante. “A participação do Sergio e os resultados que ele alcançou representam quase um milagre. Ver alguém que fumou por mais de 60 anos conseguir abandonar o cigarro mostra que, com acolhimento, acompanhamento e força de vontade, é possível mudar de vida.”
Além do apoio oferecido pela equipe multiprofissional, Sergio destaca o incentivo recebido pelos demais integrantes do grupo, que compartilham experiências e fortalecem uns aos outros durante todo o processo.
BENEFÍCIOS PARA O ORGANISMO – No último encontro do grupo, o cirurgião-dentista Jonathas Bernardelli explicou que os prejuízos causados pelo tabagismo vão muito além dos pulmões e do coração, atingindo também a saúde bucal.

Segundo ele, a nicotina reduz a produção de saliva, favorecendo problemas como cáries e mau hálito, além de mascarar doenças como gengivite e periodontite, retardar a cicatrização e comprometer o sucesso de diversos tratamentos odontológicos.
“Quando a pessoa para de fumar, toda a cavidade bucal também começa a responder de forma mais saudável aos tratamentos”, explicou o dentista aos participantes.
QUER PARAR DE FUMAR? – A Secretaria Municipal de Saúde desenvolve o Programa de Controle do Tabagismo em conformidade com a Política Estadual de Controle do Tabaco do Estado de São Paulo (Resolução SS nº 9/2024), com ações de prevenção, tratamento e conscientização voltadas à proteção da saúde da população.
As Unidades Básicas de Saúde oferecem acolhimento, orientação profissional, grupos de apoio, acompanhamento multiprofissional e acesso aos tratamentos disponibilizados pelo SUS para as pessoas que desejam abandonar a dependência da nicotina.
As ações do programa estão estruturadas em três eixos principais: promoção de ambientes livres do tabaco, fortalecendo a Lei Antifumo paulista; assistência e tratamento, ampliando o acesso ao cuidado na Atenção Primária, com acompanhamento profissional e, quando indicado, medicamentos; e enfrentamento de novas formas de consumo de nicotina, com orientação sobre os riscos dos dispositivos eletrônicos para fumar, como cigarros eletrônicos, vapes e pods.
Embora muitas vezes sejam apresentados como alternativas mais seguras, os cigarros eletrônicos não são inofensivos. Eles podem conter altas concentrações de nicotina, favorecendo a dependência, além de substâncias químicas potencialmente tóxicas capazes de provocar danos aos sistemas respiratório e cardiovascular. Seu uso também está associado à EVALI, lesão pulmonar relacionada aos dispositivos eletrônicos para fumar, que pode causar falta de ar, tosse, dor no peito e, em casos graves, exigir internação.
No Brasil, a comercialização, importação e propaganda desses dispositivos permanecem proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Apesar disso, o uso vem crescendo, especialmente entre adolescentes e adultos jovens, reforçando a importância da prevenção e da informação.
Quem deseja parar de fumar ou abandonar o uso de cigarros eletrônicos pode procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Com apoio profissional, acompanhamento e tratamento adequado, deixar a nicotina torna-se um objetivo possível.