Semae terá Centro de Controle Operacional da rede de água até 2016
A falta de chuva e a possibilidade de haver racionamento na cidade em breve, caso a seca perdure, obrigou o Serviço Municipal de Água e Esgoto de Piracicaba (Semae) a desencadear uma campanha pública para o consumo consciente de água, pedindo que a população evite lavar calçada e carro com esguicho, desligue a torneira enquanto escova os dentes e o chuveiro enquanto se ensaboa, acumule roupas antes de ligar a máquina de lavar, enfim. São pequenos gestos que não comprometem o dia a dia das famílias e que ajudam muito a evitar ou suavizar o racionamento.
O problema, porém, não está apenas na ponta do consumo, mas também no sistema de abastecimento, com 1.450 quilômetros de rede. Em Piracicaba, há uma perda de 45% de água, desde a captação até o bico da torneira. O problema é histórico e tem exigido estudos sofisticados do Semae para se chegar a um Plano Diretor de Perdas Físicas (PDPF) compatível com a realidade do município, que foi concluído recentemente e exigirá investimentos da ordem de R$ 30 milhões nos próximos 20 anos, para se chegar ao padrão internacional de desperdício tolerável, estimado entre 20 e 25%.
O núcleo do PDPF será executado nos próximos dois anos (conclusão prevista para até 2016), com investimentos de aproximadamente R$ 13 milhões, o que resultará em uma redução imediata estimada de no mínimo 5% do desperdício atual, com redução gradual. Consiste na setorização da rede com a instalação de registros e válvulas e um Centro de Controle Operacional (CCO), que poderá acompanhar remotamente o desempenho de cada setor a partir da telemetria. Serão instalados sensores nas válvulas capazes de informar a pressão na rede, permitindo saber se há vazamentos, onde e em qual dimensão. Assim, a equipe de reparo será acionada rapidamente com endereço preciso e a manutenção de um setor não comprometerá outro setor da cidade.
A colocação de válvulas para equilibrar a pressão no sistema (que deve ser entre 10 a 40 MCA) – já que pressão acima disso é um dos fatores que elevam o risco de vazamento –, por sinal, já começaram. Nos últimos dois anos foram instaladas 10 delas e precisarão mais 37. Os estudos do Semae indicam que com essas válvulas o monitoramento se torna uma realidade e até a parte mais velha da rede, localizada principalmente nas regiões centrais, densamente urbanizadas, onde hoje acontecem o maior número de vazamentos, terão vida útil prolongada e com perdas monitoradas e reduzidas.
Vale observar que o fato de haver desperdício na rede não deve desacreditar a campanha de conscientização sobre consumo responsável. Uma coisa não pode se sobrepor a outra. De acordo com o presidente do Semae, Vlamir Schiavuzzo, a autarquia tem trabalhado muito para tentar encontrar o melhor caminho para a melhoria do sistema. “Os estudos demoram tempo. Agora temos um Plano Diretor de Perdas Físicas e estamos bem mais capacitados para agir. E é isso que estamos fazendo, de acordo com o nosso orçamento. Paralelamente, temos que destacar a campanha junto à população, que é fundamental para enfrentarmos este momento crítico, não só para Piracicaba como para todo o Sudeste do país”, concluiu.
