Saúde inaugura Casa das Oficinas
A Secretaria Municipal da Saúde entregou ontem pela manhã a Casa das Oficinas, que vai funcionar como unidade auxiliar de tratamento a paciente com sofrimento psíquico intenso. A casa abriga atividades artísticas e artesanais que poderão ser desenvolvidas e transformadas em fonte de renda aos assistidos pelo projeto. O objetivo é realizar um trabalho conjunto ao desenvolvido com Caps (Centro de Atenção Psicossocial) de Piracicaba. Os Caps oferecem programas de cuidados intensivos, elaborado por uma equipe multidisciplinar como alternativas terapêuticas ao modelo de atendimento centrado no hospital psiquiátrico. Segundo o secretário de Saúde, Fernando Cárdenas, a estrutura da Oficina das Casas busca dar continuidade a este tipo de atendimento, bem diferente do incentivo às interações hospitalares, que acabam por gerar preconceito em relação aos atendidos.
A nova sede na rua Jane Conceição, no bairro Paulista, recebeu móveis e conta com equipe especializada. Entre os profissionais, uma artista plástica e uma terapeuta ocupacional incentivarão a prática de atividades laborais por parte dos assistidos pela Casa das Oficinas. A mobilização leva em conta o fato de que estas pessoas estão fora do mercado de trabalho exclusivamente por uma questão de saúde, sem verificar a real capacidade criativa ou física, muitas vezes tão desenvolvidas quanto a de outras pessoas. Desde 2002, os Caps passaram a ter como função articular forças de atenção em saúde para promover a vida comunitária dos assistidos. No Caps Bela Vista, por exemplo, as oficinas que buscam incentivar a capacidade criativa das pessoas com problemas psíquicos são oferecidas há dez anos. Com a implantação da nova Casa das Oficinas, a ideia é tornar o setor independente, com estrutura para atender os 2.800 inscritos no cadastro ativo do Caps.
Como informa a coordenadora do Caps Bela Vista, Vandrea Novello, das 2.800 inscritas, muitas conciliam trabalho com tratamento e levam vida normal. "Outra parte simplesmente se recusa a participar das atividades e preferem ficar em suas casas", observa. O trabalho conta com apoio de empresas e entidades que ajudam a escoar a produção, como a Casa do Artesão, a Casa do Povoador, além da Festa das Nações. No entanto, a geração de renda ainda é simbólica. "A renda de cada um gira em torno de R$ 50 por mês", explica Vandrea.
