Saúde cria núcleo para geração de renda
A Casa das Oficinas, do Centro de Atendimento Psicossocial (CAPS – Bela Vista), que atende pacientes com sofrimento psíquico intenso, está há quatro meses estruturada na Paulista (Rua Jane Conceição, 1738). São pelo menos 60 pacientes, que eram atendidos no mesmo espaço do CAPS, o que dificultava a transformação das atividades artísticas e artesanais em fonte de renda aos envolvidos.
Vandrea Novello, coordenadora da unidade, disse que as oficinas são oferecidas há 10 anos, mas havia a necessidade de ajustes, para que se tornasse de fato um setor independente. “Hoje existe uma equipe especializada, com artista plástica e terapeuta ocupacional, para incentivar esse público, que está fora do mercado de trabalho por uma questão de saúde”.No cadastro ativo do CAPS existem 2.800 inscritos. Desse total, 300 participam do programa de terapêutica, que são atividades de relaxamento e coordenação de tratamento. Outros 60, que não estão em crise, conseguem desenvolver trabalhos que resultam em um produto final. “São os compensados, que continuam tomando remédio, mas estão sem sintoma da doença. Por essa razão, não conseguem emprego. A estratégia encontrada pela Secretaria de Saúde foi abrir em novo endereço um espaço de trabalho para elas”, conta Novello.
“Temos várias empresas e entidades que nos ajudam a escoar a produção, como a Casa do Artesão, a Casa do Povoador, além da Festa das Nações. Mas ainda é pouco, porque a renda de cada um gira em torno de R$ 50 por mês. É quase simbólico”, explica a coordenadora. As atividades acontecem de segunda a sexta-feira, das 8h às 17 horas. A maioria dos produtos é feita com material reciclável. “Uma parte dos recursos que geramos é distribuído e outra é para comprar a matéria prima. A Prefeitura também nos fornece várias coisas, como barbante, papel reciclado e mosaico”. Das 2.800 pessoas inscritas, muitas já conseguem conciliar trabalho com tratamento e levam a vida com certa normalidade. “Outra parte simplesmente se recusa a participar das atividades e prefere ficar em suas casas, observa a coordenadora”.
