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Restauração da capela Passo do Senhor do Horto na reta final

Por Comunicação Social / Publicado em 26/03/2014
Tempo de leitura: 6 minutos.

O restauro da capela Passo do Senhor do Horto, patrimônio histórico e cultural que fica na rua Prudente de Moraes quase esquina com a praça José Bonifácio chegou na sua reta final. A informação é da arquiteta responsável Vanessa Kraml. Ela explicou que até o final da semana a obra estará totalmente concluída. “Ainda faltam os retoques finais na pintura da porta, instalação dos florões, gradis e construção de calçada”.

A obra é fruto de parceria entre a Secretaria Municipal de Obras e Ação Cultural esta em reforma desde outubro/2013, e segundo Vanessa foi um trabalho delicado e exigiu muita atenção aos detalhes. “O processo de restauro começou com uma pesquisa para entender o que aconteceu com o edificio durante sua vida. Nosso trabalho consite no restauro crítico conservativo, tentamos recuperar ao máximo as caracteristicas originais mais importantes e executamos projetos de melhoria”.

“Houve a demolição dos muros que existiam nas laterais que fechavam um corredor que existe, que tornou o prédio independente, valorizando ainda mais o monumento. Essa foi a nossa proposta”.

Para chegar a cor original da pintura foi realizado um trabalho de prospecção pictórica muito complexo nessa capela.“Encontramos muita repintura, argamassa em cima do arco da porta e nesse local identificamos uma cor marfim “off white” normalmente não utilizada em capelas”.

Por último, ressalta a arquiteta, foi reformado o altar. ”O retábulo em estilo barroco que recobre o altar teve de volta sua sua cor original. Faltava nos detalhes a folha de ouro, mas havia sido recoberto com purpurina. Nosso trabalho foi substituir novamente por folha de ouro verdadeira. A imagem de Jesus que estava no altar precisou de um trabalho detalhado, por esse motivo foi para nosso ateliê, mas já está pronto”, ressaltou. ”É uma bela obra atribuída ao Miguel Dutra, mas que não temos realmente certeza sobre a autoria, pois documentos dizem que ele nunca fez nenhuma imagem”, explicou.

Vanessa também revelou diversas outras descobertas a partir do contato com o espaço.“Por meio de fotos descobrimos que faltam algumas coisas como, por exemplo, as pernas de Cristo, que ninguém sabe o que aconteceu, além da imagem de um anjo, que também desapareceu”.

De acordo com a secretária Municipal da Ação Cultural, Rosângela Camolese, trata-se de uma edificação de grande valor, última obra de Miguel Dutra em Piracicaba e também a última remanescente deste tipo de construção no estado, um verdadeiro patrimônio.“Já estávamos trabalhando em prol do restauro há algum tempo e agora concretizamos esse objetivo”, afirma

A secretária explica que o processo para o início da restauração durou quatro anos, após realização de vários estudos e diálogo com a cúria diocesana. ” É uma forma de valorizar a história de Piracicaba e de nossos munícipes”.

A capela foi projetada, construída, entalhada e esculpida pelo artista Miguel Archanjo Benício da Assumpção Dutra, inaugurada no Domingo de Ramos de 1873 e tombada em 1973, cem anos depois, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat). Já passou por restauração em 1978 pela Prefeitura e o Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP).

A propriedade é da Diocese de Piracicaba e foi tombada como patrimônio pelo Codepac (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba), em 2004, e pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado), em 1972. De acordo com monsenhor Jamil Nassif Abib, o local é de interesse público, pois extrapola o limite do particular para beneficiar a cidade. “Esta é a única capela com o formato de um oratório para a Via Crucis que permanece em seu lugar de origem em todo o Estado. Uma outra que havia em São Sebastião foi removida para dentro de um museu”, contou. Para o monsenhor, devido à raridade é preciso preservar a capela que completa 140 anos.

Flávia Bianchini e Rafael Bitencourt


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