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Programas gratuitos na rede municipal de Saúde incentivam mudança de hábitos alimentares

Pacientes atendidos destacam acolhimento e atendimento multidisciplinar; encaminhamento acontece sempre na unidade de saúde dos bairros

Por CCS / Publicado em 18/03/2026
Tempo de leitura: 7 minutos.

Maria Vitória Moreira, 29 anos, achava que perder peso fosse algo muito difícil, até frequentar um dos grupos da Coordenadoria de Programas de Alimentação e Nutrição (CPAN), da rede municipal de Saúde. “Foi bem diferente do que eu imaginava. Não teve dieta rígida, pessoas da família e até médicos apontando o dedo. O acolhimento é muito diferenciado. Nestes encontros, aprendi a me amar”, relata ela, que perdeu 19 quilos em aproximadamente seis meses.
A CPAN oferece grupos terapêuticos para pessoas que querem enfrentar o sobrepeso e a obesidade com orientação e mudança de hábitos e que estão disponíveis na rede municipal de saúde de Piracicaba. Todo o tratamento, claro, é gratuito. O encaminhamento deve ser feito pelo médico da unidade de saúde à qual o paciente pertence.
No mês em que se celebra o Dia Mundial da Obesidade (7/3), os dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) mostram que 74,98% dos adultos acompanhados pela rede municipal de saúde apresentam excesso de peso. Em 2025, 52.485 pessoas entre 18 e 60 anos foram avaliadas nas unidades de saúde do município. Desse total, 32,65% apresentaram sobrepeso, 23,96% obesidade grau I, 11,58% obesidade grau II e 6,79% obesidade grau III.
Tanto para auxiliar aqueles que só querem melhorar os hábitos alimentares, até os casos mais complexos, a Secretaria Municipal de Saúde desenvolve ações de prevenção e tratamento em diferentes níveis.
Na Atenção Básica, profissionais são capacitados para acompanhar pessoas com sobrepeso e obesidade graus I e II sem comorbidades. O atendimento pode ser realizado de forma individual ou por meio dos Grupos de Estilo de Vida, que incentivam mudanças nos hábitos alimentares e na prática de atividade física.
Os casos mais complexos são encaminhados para a CPAN, onde pacientes com obesidade grau II associada a comorbidades ou obesidade grau III participam de Grupos PsicoNutricionais, com duração de seis meses e acompanhamento contínuo por mais um ano, totalizando 18 meses de acompanhamento.
A médica Ynaê Marques, que atua na CPAN, explica que o trabalho desenvolvido nos grupos vai além da perda de peso e busca promover mudanças duradouras no estilo de vida.
“Nosso trabalho é ajudar os pacientes a aprenderem a se alimentar melhor, fazer a leitura de rótulos para identificar escolhas mais saudáveis no mercado e entender a importância da atividade física para alcançar a perda de peso esperada. Nos grupos, eles também compartilham experiências, dificuldades e conquistas, o que aumenta a motivação para seguir no processo, mesmo com altos e baixos”, afirma.
Segundo a médica, os encontros contam com acompanhamento multidisciplinar. “Durante o grupo, os pacientes são acompanhados por nutricionista, psicóloga e médica, o que nos permite identificar o melhor caminho para cada caso e, quando necessário, encaminhar para a cirurgia bariátrica.”
Somente em 2026, já foram realizados 20 encontros, com 273 atendimentos em grupo. Atualmente, seis grupos estão em andamento e outros dois devem começar em abril. Também foram convocadas 283 pessoas com obesidade para participar das atividades terapêuticas.
ACOLHIMENTO – Além dos benefícios que conseguiu para sua saúde, com empenho, Maria Vitória Moreira também provocou mudanças de hábito na mãe e na filha. “Para facilitar a rotina corrida, comprávamos muito ultraprocessados. Hoje faço feira, minha filha leva lanches saudáveis e come salada em todas as refeições”, comemora.

A imagem mostra uma mulher sorridente sentada à mesa de jantar, pronta para comer. Ela tem cabelos longos e pretos, está vestindo uma blusa regata marrom e usa um colar dourado com um pingente em forma de coração. Ela segura um garfo na mão esquerda e uma faca na mão direita, posicionados acima do prato branco à sua frente. No prato há uma porção de alface, feijão e um alimento frito que parece ser uma omelete. A mesa está coberta por uma toalha branca com estampas florais em azul e amarelo. Ao fundo, é possível ver uma cozinha clara com armários de madeira clara, uma bancada preta e um revestimento de azulejos verdes. Há também um purificador de água à esquerda e uma porta aberta que leva a um espaço externo iluminado pela luz natural do dia. A imagem transmite uma atmosfera acolhedora e doméstica.
Maria Vitória Moreira comemora as mudanças de hábito que aconteceram também com a sua família

Após perder 19 quilos, ela até pensou em desistir da cirurgia bariátrica, mas o diagnóstico de uma hérnia de hiato pesou na decisão pela cirurgia, marcada para o dia 20/03. “Perdi meu avô com esse diagnóstico, então resolvi fazer, apesar de continuar perdendo peso”, explica.
Assim como Maria Vitória, Alexandre Alves Blois de Oliveira, de 47 anos, comemora os resultados do tratamento da obesidade. Após sofrer um acidente de trabalho em 2004 e ficar de cama durante seis meses, passou de 98 kg para 120 kg e chegou aos 150 kg. Com o peso, vieram dificuldades de mobilidade, fôlego curto e piora da qualidade do sono.

A imagem mostra um homem de meia-idade subindo uma escada externa estreita entre dois prédios. Ele tem cabelos grisalhos, barba por fazer e está sorrindo. Veste uma camiseta azul escura com botões na gola, calças pretas e tênis escuros. Ele usa um relógio no pulso esquerdo e óculos de sol apoiados na cabeça. A escada é feita de azulejos vermelhos com faixas antiderrapantes pretas, e há um corrimão verde escuro à esquerda. Ao fundo, é possível ver uma palmeira e parte de outras construções, indicando que o local é provavelmente uma área urbana em clima quente. A luz é natural e forte, sugerindo que a foto foi tirada durante o dia. A composição utiliza a diagonal da escada para direcionar o olhar para o homem, que está no centro da imagem.
Subir escadas ficou mais fácil após Alexandre Oliveira participar dos encontros e colocar em prática as recomendações

Ele procurou a CPAN após orientação do clínico geral, sem grandes expectativas — e perdeu 10% do peso corporal. “Se eu soubesse que ia ser desta maneira, teria ido antes”, conta. Entre os pontos positivos, ele cita o acolhimento, as conversas, o apoio psicológico e as orientações recebidas.
“É preciso dar a oportunidade para aprender a mudar o estilo de vida”, afirma. Ele lembra que era conhecido entre os amigos pela grande quantidade de comida ingerida. “Cheguei a comer 15 pedaços de pizza. Hoje não aguento três.”
O conselho de Maria Vitória resume bem a importância do autocuidado: “Não adianta querer abraçar o mundo se você precisa ser abraçado.”
PREVENÇÃO COMEÇA NA INFÂNCIA – Além das ações voltadas ao público adulto, a Secretaria de Saúde também desenvolve iniciativas de promoção da alimentação saudável para crianças e adolescentes, em parceria com a Secretaria de Educação.
Entre elas estão o programa Piracicaba com Saúde: é hora de comer melhor, o Programa Saúde na Escola e o Programa Municipal de Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável, que buscam fortalecer hábitos alimentares desde a infância e prevenir a obesidade e outras doenças crônicas ao longo da vida.


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