Professores de ensino regular participam de seminário sobre a educação de crianças com baixa visão
Palavra do secretário“A capacitação é uma oportunidade para que o professor desenvolva seu trabalho de maneira ainda melhor, já que ela tem como foco a potencialidade do aluno e busca extinguir o mito de que a deficiência esteja relacionada à incapacidade. Cada um de nós tem um ritmo de aprendizagem: é isso o que estamos semeando na rede”. Gabriel Ferrato
Ter dificuldade para ler, escrever e enxergar a lousa é comum aos alunos que apresentam baixa visão. Para debater esse tema, a Secretaria Municipal de Educação de Piracicaba (SME) oferece irrestrito apoio e incentivo ao projeto de capacitação da Santa Casa de São Paulo: “Educação sem limites – ampliando a visão do professor na educação de crianças com baixa visão”. O evento será no próximo sábado (12), das 8h às 17h, no Anfiteatro do Centro Cívico e será aberto oficialmente pelo secretário da Pasta, professor Gabriel Ferrato. Cerca de 260 professoras de Educação Infantil e Ensino Fundamental, da rede pública do município, se inscreveram e poderão aprimorar os conhecimentos sobre o assunto, durante as aulas teóricas a serem ministradas, graciosamente, por profissionais do Setor de Visão Subnormal do Departamento de Oftalmologia do Hospital. “Em 2009 não foi possível, mas repetimos o convite esse ano e fomos prontamente atendidos”, agradece Ferrato.
Ana Lúcia Pascali Rago, fisioterapeuta, psicopedagoga e coordenadora do respectivo Setor, virá à Piracicaba juntamente com a fisioterapeuta Luciana Pinto Cardoso, na expectativa de sensibilizar os participantes sobre o tema e seu impacto no processo de aprendizagem da criança. “Estamos visitando os municípios em parceria com as prefeituras”. O seminário já passou por cidades como Barueri e Mairiporã e deverá ocorrer também em Itaquaquecetuba.
Segundo a supervisora escolar e de Educação Especial da SME, Érica Aparecida Eugênio, apesar do pequeno número de alunos com baixa visão na rede municipal de ensino, a adesão ao evento por parte das professoras foi bastante significativa, o que fortalece, na opinião dela, o movimento de inclusão que caminha desde a constituição Núcleo Municipal de Apoio Pedagógico de Educação Especial, órgão vinculado à SME, que auxilia as escolas no trabalho com crianças portadoras de necessidades educativas especiais.
“Abrimos vagas, inicialmente, às professoras. Mas, nossa idéia era ampliar a participação também às supervisoras, diretoras e coordenadoras da rede, o que não foi possível graças à grande participação das professoras, suficiente para esgotar as inscrições”, comemora Érica.
A diretora do Núcleo, Angela Maria Sturion, explica que o seminário visa facilitar o trabalho e alertar os profissionais de que, quando a criança apresenta visão reduzida, o material pedagógico deve ser adequado a esse aluno, para que ele desenvolva o sentido e o aprendizado se consolide.
DadosNa rede municipal de Educação Infantil, 76 crianças (de 0 a 5 anos) apresentam diferentes tipos de deficiências. Desse total, três alunos possuem baixa visão e cinco são cegos. No Ensino Fundamental (6 a 10 anos), são 161 alunos portadores de necessidades educativas especiais, entre eles, 11 com visão reduzida e um cego.
Fonte: Núcleo Municipal de Apoio Pedagógico de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação – maio/2010
Programação8h – Abertura oficial8h45 – “Anatomia e fisiologia da visão e principais funções visuais”9h15 – “Patologias oculares e implicações funcionais”10h – Vivência e discussão10h30 – Intervalo11h – “Definição de baixa visão, cegueira e deficiência múltipla”11h15 – “Implicações da baixa visão no desenvolvimento e aprendizagem”12h – “Avaliação clínica e funcional da criança com baixa visão”12h30 – Almoço13h30 – “Comportamentos visuais frequentes em crianças com baixa visão e sugestões de adaptações de materiais e do ambiente”14h30 – Vivência 15h – Apresentação e discussão de um caso de uma criança com baixa visão 16h – Discussão sobre a inclusão escolar de crianças com baixa visão17h – Avaliação e encerramento
Saiba mais
Eu tenho baixa visão?A pessoa com baixa visão é aquela que, mesmo após tratamentos ou correção óptica, apresenta diminuição considerável de sua função visual. A maior parte da população considerada cega tem, na verdade, visão subnormal e, a princípio, é capaz de usar sua visão para realizar tarefas. Já o paciente com cegueira é aquele que perde totalmente a visão. Para cada pessoa cega, há em média três ou quatro com baixa visão.
Quais são os sinais?Alteração na aparência dos olhos: estrabismo (olhos não alinhados), nistagmo (tremor nos olhos), movimentos irregulares, pupila com mancha branca, alteração na coloração da córnea. Há também alguns comportamentos diferenciados: fotofobia (hipersensibilidade à luz), posição da cabeça para olhar (aproximar o rosto muito perto do objeto para ler), dificuldades na coordenação motora.
Como lidar com a baixa visão na sala de aula?Colocar o objeto perto dos olhos é permitido e deve ser incentivado. Ao aproximar, a imagem fica maior e mais nítida. Pode-se usar apoio de livro, suporte para folha, lupa, telescópio, óculos com lentes de magnificação (ampliação das imagens), lápis 4B ou 6B (aumenta o contraste). Evitar superfícies com brilho.
Fonte: Santa Casa de SP e Perkins http://www1.folha.uol.com.br/saber/2010/05/22/baixa-visao-e-confundida-com-cegueira-e-prejudica-desempenho-de-alunos.shtml
Núcleo Municipal de Apoio Pedagógico de Educação EspecialÓrgão vinculado à Secretaria Municipal de Educação, existe desde 2002 e está localizado na Avenida dos Marins, 100, no bairro Glebas Califórnia. É composto por uma equipe de sete profissionais, sendo uma terapeuta ocupacional, uma psicóloga educacional e cinco pedagogas, além de, aproximadamente, 17 professoras, todas especialistas em Educação Especial. Os alunos com necessidades educativas especiais são atendidos em período contrário ao da escola e todo o material que utilizam é adaptado pelos próprios profissionais do Núcleo. No caso das crianças cegas, todo o material é adaptado à linguagem braile para o aluno.
