Prefeito e secretários se reúnem com arquitetos para falar sobre requalificação do Mirante
O prefeito Gabriel Ferrato, a secretária de Turismo, Rose Massarutto, e o presidente do Ipplap, Lauro Pinotti, reuniram-se na tarde de sexta-feira (28), no auditório do Museu da Água, com arquitetos que participam do concurso de projetos para a requalificação do Parque do Mirante, promovido pela Prefeitura Municipal de Piracicaba. O objetivo do encontro foi conversar sobre as expectativas do governo e da sociedade piracicabana em relação ao complexo turístico do qual o Mirante faz parte. Gabriel Ferrato destacou alguns quesitos que considera fundamentais para a concepção de uma boa proposta: “Ela deve contemplar, em primeiro lugar, a integração do Mirante com o Engenho Central. As partes que compõem o complexo, que vai do Parque do Trabalhador até a Ponte do Mirante, precisam estar conectadas. O segundo é a interação com o Rio Piracicaba, em especial com o Salto, que é o coração desse grande espaço turístico. Em terceiro lugar é a segurança. Precisamos criar as condições para que a visitação aconteça em qualquer hora do dia. Hoje, durante a noite, não conseguimos nem enxergar o Mirante quando estamos do outro lado do rio”.
Rose explicou que o turista que busca a Rua do Porto está mais interessado nos restaurantes do que em qualquer outro tipo de turismo oferecido pelo parque. “Precisamos sair dessa visão de partes isoladas para que o lazer se dê de ponta a ponta. Por isso a importância da integração do complexo, para que novas possibilidades de turismo possam surgir, principalmente as que privilegiem o pedestre. A atratividade precisa estar relacionada às qualidades naturais do parque”. Lauro Pinotti mostrou um livro produzido pelo instituto que trata da interação da cidade com o Rio Piracicaba para que os arquitetos entendam a dimensão histórica do complexo turístico. Observou que a cidade está construindo vários parques lineares e seria importante uma visão do todo para que num futuro haja a integração dos espaços verdes, seja por ciclofaixa ou qualquer outro sistema que constitua um circuito turístico integrado.
O arquiteto do Ipplap, Marcelo Cachioni, explicou sobre a importância de se levar em consideração os critérios de conservação da área, uma vez que o Mirante é patrimônio tombado pelo Condephaat. Segundo ele, é possível o surgimento de novos elementos na estrutura arquitetônica, desde que o projeto preserve e destaque os já existentes. “Há a possibilidade de alterações e as portas estão abertas para melhorias e sugestões, mas a supressão ou ampliação não pode comprometer a compreensão geral do parque, os elementos que o caracterizam e que foram considerados no tombamento, como caminhos, escadarias, luminárias, pérgulas etc”. Representantes do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), que acompanham de perto a restauração do Engenho Central, destacaram a importância do bom senso, da ponderação, da compensação e das decisões coletivas para se levar adiante um projeto de requalificação de espaços tombados. Segundo eles, as novidades, quando trazem essas características e são bem sucedidas, acabam sendo referência para outros trabalhos de requalificação. Um exemplo citado foi a construção do próprio Teatro Erotides de Campos em um dos barracões do Engenho. A intervenção ganhou prêmios inclusive pelas inovações arquitetônicas, mas que não prejudicaram as características básicas do patrimônio. Ao contrário, agregaram valor.

O edital do concurso foi lançado em outubro e conta com 31 inscritos. Os profissionais já fizeram visitação da área e terão mais um mês pela frente de trabalho criativo. Gabriel Ferrato destacou o processo democrático da iniciativa do Poder Público. “Fizemos uma consulta aberta à população para que todos os interessados nos enviassem sugestões sobre a requalificação para sabermos o que a cidade espera do Mirante. Obtivemos 21 respostas. É um número pequeno de contribuições comparado ao tamanho da cidade, mas estamos seguros da amplitude de nossa iniciativa, porque essas sugestões foram repassadas na íntegra aos participantes do concurso para que levem em consideração na hora de criar”. Gabriel Ferrato destacou também a importância de o projeto ser modular. “Porque os recursos públicos são sempre insuficientes para dar conta de uma só vez de grandes obras, como essa. Mas se for concebida em partes, é natural que uma administração inicie e o trabalho possa ser continuado pelo governo posterior”. Gabriel Ferrato citou como exemplo o Projeto da Rua do Porto, que nasceu na gestão do ex-prefeito José Machado e foi continuado pelo seu antecessor, Barjas Negri.
