Portal do Município de Piracicaba

Investigação rastreia mosquito-palha em Piracicaba durante semana de combate à leishmaniose

Armadilhas luminosas ficam 24 horas nas residências para mapear a presença do vetor da leishmaniose visceral

Por Comunicação Social / Publicado em 13/08/2026
Tempo de leitura: 8 minutos.

Um inseto pequeno, de cor clara, com asas alongadas e corpo coberto de pelos — bem menos conhecido que o Aedes aegypti — está mobilizando uma equipe de investigadores entomológicos em Piracicaba. O trabalho é realizado nas regiões Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro para rastrear e mapear a presença do mosquito-palha (Phlebotominae), vetor da leishmaniose visceral, doença infecciosa grave que pode atingir pessoas e cães.

A transmissão ocorre pela picada da fêmea de um flebotomíneo infectado, inseto conhecido popularmente como mosquito-palha. Não há transmissão direta do cão para a pessoa nem de uma pessoa para outra pelo convívio.

Um homem de chapéu ajusta cuidadosamente um dispositivo cilíndrico suspenso perto de uma planta ornamental, em um ambiente interno que parece ser uma área de serviço ou varanda iluminada. A composição da cena é focada no lado direito, onde o homem interage diretamente com o objeto suspenso e a folhagem. Ele está posicionado de costas e de lado para a câmera, criando uma diagonal visual que conecta suas mãos ao dispositivo e à planta. O enquadramento é em plano médio, permitindo observar tanto a ação técnica do ajuste do equipamento quanto a proximidade com a vegetação. A verticalidade do dispositivo e a disposição das folhas criam um equilíbrio entre os elementos técnicos e naturais dentro do espaço restrito. O protagonista é um homem de pele morena, vestindo uma camisa de botão azul claro de manga comprida e um chapéu de sol de abas largas na cor azul marinho, com uma corda de ajuste sob o queixo. Suas mãos estão ativas: a mão esquerda segura a parte superior de um disco preto que serve de tampa ou suporte para o dispositivo, enquanto a mão direita toca suavemente as folhas de uma planta próxima. Sua postura é de concentração, com o corpo inclinado em direção ao objeto, demonstrando um cuidado meticuloso na manipulação do equipamento. O dispositivo em questão parece ser uma armadilha ou um coletor de insetos feito de um tubo cilíndrico branco com uma tela de malha acoplada, possivelmente utilizado para monitoramento ambiental ou botânico. Ao lado, encontra-se uma begônia com folhas grandes e texturizadas em tons de cinza-esverdeado e bordas arroxeadas, exibindo um contraste vívido com o verde escuro de uma planta do tipo lírio-da-paz logo abaixo. A execução técnica da imagem reflete uma captura fotográfica cotidiana, com foco nítido nos detalhes táteis das plantas e na estrutura do objeto. A cena ocorre em um ambiente fechado, iluminado pela luz natural que entra por uma porta ou janela com grades brancas à esquerda. A iluminação é suave e difusa, criando um clima de trabalho doméstico ou manutenção técnica. O fundo é neutro, com uma parede clara que destaca as cores das plantas. A atmosfera é de tranquilidade e atenção aos detalhes, transmitindo uma sensação de cotidiano produtivo onde o homem se dedica à verificação de seus elementos de cultivo, unindo a jardinagem a um componente de observação científica ou prática.
Armadilhas são instaladas em diversos pontos da cidade para investigar a presença do mosquito que causa leishmaniose

A investigação é conduzida pela Coordenadoria de Controle de Doenças, órgão da Secretaria Estadual da Saúde, com acompanhamento do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba.

O trabalho consiste na instalação de armadilhas luminosas, dispositivos equipados com uma lâmpada fluorescente atrativa e uma ventoinha (cooler) alimentados por bateria. As armadilhas permanecem instaladas nas residências dos moradores por um período de 24 horas, capturando os insetos vivos em uma rede de pano protetora para posterior análise laboratorial.

Os insetos capturados são encaminhados ao laboratório para identificação detalhada. Os resultados permitirão conhecer a densidade populacional do vetor, sua variação ao longo das estações do ano e sua distribuição geográfica no município. Essas informações servirão de base para definir as estratégias de vigilância e controle.

A ação ocorre durante a Semana Nacional de Controle e Combate à Leishmaniose, iniciada na segunda-feira, 10/08, e busca chamar a atenção para os cuidados capazes de reduzir o risco de transmissão da doença, além de orientar a população sobre medidas de proteção dentro e fora de casa.

No ambiente urbano, o cão é o principal reservatório do parasito. O mosquito-palha pode se infectar ao picar um cão com leishmaniose e transmitir o parasita posteriormente ao picar uma pessoa ou outro animal. Cães sem sintomas também podem infectar o vetor.

De acordo com dados do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE-SP), o Estado registrou 336 casos e 37 óbitos por leishmaniose visceral entre 2021 e 2025. Em 2026, até maio, foram contabilizados 17 casos e um óbito. Em Piracicaba, não há registro da doença em residentes neste ano.

“Não estamos em uma região endêmica, mas há registro de circulação do vetor na região, por isso esse trabalho de investigação é tão importante”, afirma Aline Marangoni, coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses.

COLABORAÇÃO – A coordenadora também destaca a importância da colaboração da população. “Os moradores têm sido receptivos e é fundamental que permitam a instalação das armadilhas em suas residências. Elas não utilizam nenhuma substância química; funcionam apenas com uma fonte de luz”, explica.

Moradoras como Elisabete Cordeiro dão o exemplo ao abrir as portas de casa para a equipe de investigação entomológica. A participação dos moradores é considerada essencial para que o levantamento seja realizado em diferentes regiões da cidade e permita um mapeamento mais preciso da presença do vetor em Piracicaba.

Independentemente do resultado da investigação, previsto para cerca de quatro meses, as medidas de prevenção devem ser mantidas. O mosquito-palha encontra condições favoráveis em locais úmidos, sombreados e com acúmulo de matéria orgânica. Por isso, a orientação é manter quintais e terrenos limpos, retirar folhas, frutos, fezes de animais e outros resíduos orgânicos, instalar telas de malha fina em portas e janelas, utilizar mosquiteiros quando necessário e manter limpos os locais onde os animais permanecem.

Um homem de meia-idade, vestindo uma camisa azul clara e um chapéu escuro, inspeciona cuidadosamente um dispositivo de monitoramento fixado ao tronco de uma palmeira em um parque ensolarado. A composição da cena destaca o homem em perfil, posicionado entre duas palmeiras robustas, criando um equilíbrio visual que guia o olhar para a interação entre ele e o equipamento técnico. O homem está ligeiramente curvado, focado na tarefa manual de ajustar ou examinar o dispositivo pendurado, enquanto a câmera mantém um enquadramento plano que abrange tanto o sujeito quanto o ambiente imediato, proporcionando clareza sobre a ação realizada no espaço ao ar livre. O sujeito principal é um homem de tom de pele pardo, apresentando uma expressão de concentração séria enquanto trabalha. Ele usa um chapéu de abas largas estilo fedora de cor escura, uma camisa de mangas compridas de botão em tom azul celeste e calças cáqui. Suas mãos estão posicionadas sobre o tronco da árvore e sobre um recipiente cilíndrico de plástico branco pendurado por cordas, sugerindo que o item é uma armadilha ou um coletor de amostras biológicas fixado na casca fibrosa e áspera da palmeira. Esta é uma fotografia digital capturada com luz natural, caracterizada por um foco nítido e cores equilibradas que retratam a realidade do ambiente de trabalho de campo. O estilo é documental e direto, evitando artifícios, priorizando a representação fiel do momento técnico. A nitidez na textura do tronco da palmeira, com suas fibras secas e marrons, contrasta com o tecido suave da vestimenta do homem, revelando uma execução técnica competente que prioriza a clareza dos detalhes sobre a estilização excessiva. O cenário é um parque ou área pública ajardinada sob a luz clara e difusa do dia. O solo ao redor da base das árvores é de terra batida com vestígios de vegetação rasteira, enquanto, ao fundo, percebe-se um gramado bem cuidado, uma grade de proteção, veículos estacionados e o movimento discreto de outras pessoas ao longe. A iluminação é natural e abundante, vinda de cima, o que cria sombras suaves sob as árvores e enfatiza a atmosfera serena e funcional de um dia de trabalho ao ar livre, estabelecendo um clima de pesquisa científica ou manutenção ambiental.
Armadilhas luminosas atraem insetos que depois são encaminhados para laboratório

Em humanos, os principais sinais da leishmaniose visceral incluem febre prolongada, aumento do fígado e do baço, perda de peso, fraqueza e anemia. Diante desses sintomas, a orientação é procurar um serviço de saúde para avaliação. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para evitar complicações.

Nos cães, os sinais que podem levantar suspeita de leishmaniose incluem descamação ou feridas na pele, principalmente ao redor dos olhos, nas orelhas e nas extremidades; aumento dos linfonodos; perda de pelos; emagrecimento; crescimento exagerado das unhas; alterações oculares; apatia; sangramento nasal e presença de sangue nas fezes.

Como alguns cães infectados podem não apresentar sintomas, a avaliação veterinária é essencial. Em caso de suspeita ou diagnóstico, o tutor deve procurar um médico veterinário e seguir as orientações sanitárias para definição da conduta adequada.

TRATAMENTO – Apesar de grave, a leishmaniose visceral tem tratamento em humanos, disponível gratuitamente na rede do SUS (Sistema Único de Saúde). O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chancer de recuperação e evitar complicações.

Nos cães, a doença exige avaliação veterinária e acompanhamento conforme as diretrizes sanitárias vigentes. O animal é considerado o principal reservatório do parasita no ambiente urbano, razão pela qual a identificação dos casos é importante tanto para a saúde do próprio animal quanto para a proteção da saúde pública.

A Secretaria de Saúde reforça que, diante de sinais suspeitos, os tutores não devem ocultar sintomas nem abandonar o acompanhamento veterinário. Cada caso deve ser analisado individualmente por médico-veterinário, com orientação adequada sobre diagnóstico, manejo e medidas sanitárias recomendadas pelo Ministério da Saúde.


Secretarias e Outros órgãos

Este site utiliza cookies para melhorar a sua experiência de navegação. Ao continuar navegando, você concorda com nossa política de privacidade.