HFC realiza treinamento para enfermeiros da rede municipal
Cerca de 60 enfermeiras da Atenção Básica que atuam em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e unidades de Programa Saúde da Família (PSFs) estão passando por treinamento no Banco de Leite Humano ‘Gessy Cardoso Ribeiro’, do Hospital dos Fornecedores de Cana (HFC). O treinamento é para que as profissionais entendam o funcionamento da unidade e aprendam técnicas sobre o manejo da amamentação.
De acordo com Maria Aparecida de Britto Vitti, enfermeira do programa Pacto de Combate à Mortalidade Infantil, o desmame precoce está paralelamente ligado com a mortalidade infantil. Segundo ela a amamentação previne infecções, alergias, diarreia e vômitos. “O leite humano é rico em proteínas, açúcar, gorduras, vitaminas e água. A mãe produz em seu leite tudo o que o bebê precisa, além de componentes que o leite em pó não consegue incorporar”, explicou.
De acordo com Maria Aparecida, o treinamento dado as enfermeiras da rede é extremamente importante, pois, são estas profissionais que estarão em contato direto com as mulheres que irão amamentar. “A mulher que amamenta precisa de apoio e informações e com esta capacitação as nossas enfermeiras poderão estimular a amamentação nas pacientes da rede e esclarecer dúvidas a todas as mães, além de incentivar a amamentação exclusiva até o sexto mês da criança”, disse.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que a criança mame no peito até o sexto mês de vida sem a necessidade de introduzir outros alimentos. Maria Aparecida explicou que muitas vezes a cultura atrapalha este processo, pois, as pessoas mais velhas acreditam ser necessário dar água e chá para os bebês.
Além de ser extremamente benéfico para a criança, amamentar também faz bem para a mãe, pois fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho. A mulher que amamenta queima calorias, o que faz com que recupere mais rápido o peso que tinha antes da gravidez, também ajuda o útero a voltar ao seu tamanho normal mais rapidamente, faz com que a perda de sangue após o parto acabe mais cedo, previne a osteoporose entre outras coisas.
A enfermeira Dayse Ruiz de Araújo Feitosa, responsável pelo Banco de Leite do HFC, afirmou que a amamentação promove o estabelecimento de uma ligação emocional muito forte entre a mãe e o bebê. Ainda de acordo com a enfermeira, o vínculo afetivo sólido facilita o desenvolvimento da criança e o seu relacionamento com outras pessoas no futuro.
Dayse disse que o treinamento acontece três vezes por semana, no local, além de receberem orientações sobre a promoção do aleitamento, as profissionais aprendem sobre o processamento de capitação e distribuição do leite humano. “Fazer com que as enfermeiras compreendam este processo faz com que no futuro elas identifiquem possíveis doadoras ”, explicou Dayse.
O Banco de Leite Humano atende atualmente 17 bebês por mês e conta com a colaboração de cerca de 50 doadoras ativas, o que representa neste ano uma média de 62 litros de leite humano por mês. O Banco ‘Gessy Cardoso Ribeiro’ funciona na Avenida Barão de Valença, nº 716, Vila Rezende. Mais informações podem ser obtidas através do telefone 3403.2820.
Toda mulher pode amamentar
A amamentação é um ato de amor, e qualquer mulher tem condições de fazê-lo. Maria Aparecida disse que ‘leite fraco’ e ‘não ter leite’ não condiz com a realidade. Segundo ela é da natureza feminina a produção de leite que acontece devido ao estímulo da mama, isso quer dizer que quanto mais a criança mama, mais leite a mãe irá produzir. Maria Aparecida explicou que o ato de sucção da criança estimula a produção do leite.
“Para amamentar é preciso primeiramente que a mulher queira e se conscientize da importância de fazer isso. Depois é fundamental que tenha apoio do parceiro e de seus familiares”, disse ela. Outros fatores essenciais para o ato de amamentar são: disponibilizar de tempo, fazer com que a criança pegue toda a aréola do seio e não só o bico, alimentação balanceada e o mais importante, segundo Maria Aparecida entender que a criança deve ser amamentada na hora que ela quiser e o quanto quiser, “determinar a hora de dar o peito a criança não condiz com a realidade e pode causar ansiedade na mãe”, finalizou.
