Espaços turísticos e culturais da cidade recebem visita técnica de alunos do Senac
Estudantes passaram pelo Engenho Central, Misp e Pinacoteca
“Eu passei 20 anos da minha vida frequentando o Engenho Central sem saber a história real dele. Eu não sabia que o Engenho já tinha sido administrado por franceses”. A declaração é da piracicabana Julia Crescencio, 20. Ela integra turma de alunos do programa de aprendizagem Jovem Aprendiz do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) que visitou, na última quarta-feira, 25/03, diferentes espaços turísticos e culturais do Engenho Central, como parte das atividades práticas da unidade curricular de turismo no curso. Foram ao todo 22 estudantes com idades entre 16 e 22 anos. Eles foram recepcionados por equipe da Secretaria Municipal de Turismo e, na sequência, participaram de visita guiada pelo Engenho, acompanhados por corpo técnico da Secretaria de Cultura.

A primeira parte da visita foi na sede da Secretaria de Turismo, situada dentro do Engenho Central. Na ocasião, os estudantes receberam as boas-vindas da titular da Pasta, Clarissa Quiararia, que falou sobre o trabalho desenvolvido e as atividades turísticas no município. Em seguida, eles fizeram caminhada de exploração pelo Engenho, guiados por Pedro Maurano, coordenador do espaço. Houve visita, também, à Pinacoteca Municipal Miguel Dutra, com condução realizada por Élide Guimarães, servidora no local, e ao Misp (Museu da Imagem e do Som de Piracicaba), com Rober Caprecci.


“Gostei bastante de toda a visita, porque aprendi muito. E eu amei a Pinacoteca e as obras que ela abriga atualmente”, comentou Julia.
Quem também aprovou o roteiro pelo Engenho foi a estudante Ana Carolina de Souza, 19. Para ela, foi um momento de descobertas. “Eu acho que, no geral, o que foi mais interessante foi a história do Engenho Central, porque eu cresci aqui na cidade e acreditava que haviam escravizados no Engenho. Esta foi a maior fake news da minha vida, que durou por 19 anos. Então, foi muito interessante saber a história real, incluindo os franceses. Foi uma visita muito educativa”, afirmou.

Para a secretária de Turismo, Clarissa Quiararia, atividades como esta contribuem para expandir o conhecimento e, também, o senso de pertencimento. “Os espaços turísticos e culturais são pontos de visitação e contemplação e contribuem para a difusão da arte e de muitos aprendizados. E a partir do momento em que a comunidade conhece a sua própria história, ela passa a cuidar, a zelar com mais compromisso, a entender a importância de cada local”, disse.
HISTÓRIA – O Engenho Central foi fundado em 19 de janeiro de 1881 pelo Barão de Rezende. O complexo industrial, com maquinários trazidos da França, deveria processar toneladas de cana-de-açúcar com mais rapidez que os artesanais engenhos movidos à força de mula. Em 1899, Rezende decidiu vender o engenho para três franceses, Durocher, Doré e Maurice Allain, com a nova denominação Sucrerie de Piracicaba. Já em 1907 foi fundada a sociedade anônima Societé de Sucrerie Brèsilliennes’ (S.S.B), que compreendia seis usinas, com produção anual de 100 mil sacas de açúcar e três milhões de litros de álcool. Na ocasião, foi considerada a maior empresa do Estado em produção e a mais importante do país. A partir da década de 1950, a concorrência do açúcar dos outros países latino-americanos e a dificuldade de manutenção das peças importadas e de mão-de-obra especializada fizeram a produção decair em todos os engenhos centrais. Em 1970, então, o Engenho Central de Piracicaba foi vendido para Usinas Brasileiras de Açúcar, funcionando até 1974, quando foi desativado. As antigas construções foram substituídos por edifícios de alvenaria aparente, conforme a necessidade, a partir da década de 1920. Atualmente, o Parque do Engenho Central sedia diversos eventos, como o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, a Paixão de Cristo, a Festa das Nações, entre outros.