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Cubanos conhecem produção local do setor sucroenergético

Por Comunicação Social / Publicado em 08/02/2011
Tempo de leitura: 4 minutos.

Uma comitiva de pesquisadores cubanos visitou o Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla), segunda-feira, 7, para conhecer a estrutura de produção agrícola e desenvolvimento de tecnologias do setor sucroenergético. Recepcionados pelo secretário-executivo do Apla, Flávio Castelar, eles também foram recebidos por Tarcisio Mascarim, presidente do Simespi (sindicato patronal da indústria de Piracicaba e região), e Weber do Amaral, professor da Esalq. Na terça-feira, 8, a comitiva se reuniu com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Pedro Cruz.

Em uma apresentação de quase 1h30, Flávio Castelar pontuou os detalhes da cadeia produtiva, desde o plantio da cana-de-açúcar ao desenvolvimento dos diversos produtos provenientes da matéria-prima vegetal. “As usinas caminham para se tornar uma verdadeira biorefinaria”, disse Castelar, “onde não se produz álcool e açúcar, mas vários outros produtos tendo como base a cana-de-açúcar”. Dentro da parceria com a Agência de Promoção e Investimentos para Exportação (Apex-Brasil), o secretário-executivo do Apla lembrou que o Brasil está disposto a promover tecnologia, vendendo máquinas e produtos.

Tarcisio Mascarim recepcionou a comitiva no período da tarde de segunda-feira, 7, e apresentou a preocupação em relação ao embargo econômico sofrido pela ilha devido às relações conturbadas com os Estados Unidos. “Para os empresários, a nossa maior dúvida é sofrer retaliação por conta de uma eventual negociação com os cubanos”, disse Mascarim. O professor da Esalq, Weber do Amaral, destacou a retaliação como “um risco”, mas observou que solução deste entrave é dever da diplomacia brasileira. “Eles visitaram o Apla para entender como funciona um arranjo produtivo, e, neste caso, o do álcool é um modelo”, disse. Weber do Amaral avalia, ainda, a necessidade da ilha resolver problema de escassez energética com as soluções sucroenergéticas – Cuba importa 60% da energia elétrica consumida no país.

Os pesquisadores cubanos não esconderam a admiração com a cadeia produtiva brasileira da cana-de-açúcar. Tradicionais produtores de açúcar, a ilha caribenha se organiza para reestruturar a sua infra-estrutura de produção e exportação. As 61 usinas de Cuba produzem, anualmente, 1,5 milhão de toneladas de açúcar, quando a capacidade é de 5 mi/t. “Estamos bem abaixo de nossa capacidade e o nosso governo quer atualizar a cadeia produtiva”, disse Armando Nova González, professor da Universidade de Havana.

Dentro do plano cubano, que envolve não só o setor canavieiro, mas toda uma reestruturação e abertura de mercado na ilha, não há previsão orçamentária para investimentos. Uma certeza, no entanto, é de que será necessária a entrada do capital estrangeiro na ilha. “Cuba é um país pobre e precisaremos de dinheiro internacional”, afirmou ele, que esperava conseguir parceria com o Brasil para dinamizar as usinas cubanas. “Somos dois povos muito parecidos e temos uma boa relação, e acredito que isso contribui bastante em uma parceria”.


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