Construção da passarela estaiada, sobre Rio Piracicaba, está concluída
Está finalizada a construção da passarela estaiada sobre o Rio Piracicaba. A nova ligação entre a avenida Beira Rio e o Engenho Central tem 198m, o equivalente a dois quarteirões, com largura para pedestres de 4,2m, perfil em curva leve e suave. Os mastros de 35m de altura, em cada margem, com inclinação de 30º, equiparáveis a um prédio de 10 andares. As equipes da Semob trabalham na retirada do cimbramento metálico especialmente desenvolvido para executar os pilares inclinados. Conforme o prometido, a passagem estava liberada para pedestres durante a encenação da Paixão de Cristo, no Engenho Central. Contudo, não foi utilizada por opção do Grupo Guarantã, que encaminhou carta de agradecimento pela disponibilização, mas preferiu não usá-la devido a logística do espetáculo. Atualmente são executadas outras duas etapas de obras no local, provenientes de processos licitatórios independentes. A construção das rampas de acesso para pessoas com dificuldades motoras está em andamento. Os pilares de sustentação estão prontos. Os itens necessários para a instalação da iluminação estão comprados e separados. A finalização da rampa e conclusão da iluminação será feita assim que o cimbramento metálico for retirado. A inauguração oficial está prevista para antes da 30ª Festa das Nações. Passarela em detalhes Sua forma aparente tem 3.740m², sem pilares intermediários. Para chegar nesse resultado, foram utilizados 833m³ de concreto, 104 toneladas de aço CA-50 A e mais 9.600 kg de aço 190RB (cordoalhas). Os 16 estais de cada lado, totalizando 32, são os responsáveis pela passarela se auto sustentar. O trabalho, inédito na América Latina, foi preciso. A medida que a laje crescia 6m para o centro da passarela, os mastros subiam 4m. Este processo ocorreu simultaneamente nas duas margens do rio. Para o encontro no centro do rio, cálculos minuciosos foram feitos para que não houvesse diferença e as lajes encaixem perfeitamente. “O lançamento do concreto se torna algo meticuloso. Em volumes elevados, o controle aumenta, pois há uma reação química em que as temperaturas são elevadas e se a cura não for bem executada a estrutura perderá água, diminuindo de tamanho (retração), causando fissuras. Por isso o lançamento teve de ser combinado inclusive com condições climáticas favoráveis”, afirmou Arthur Ribeiro, secretário de Obras. A grande novidade é a tecnologia, de origem francesa, implantada na passarela com materiais nacionais. Para o sistema de ancoragem, é utilizado um conjunto de ancoragem ativa de estai. Este conjunto permite a regulagem milimétrica, feita por meio de macaco hidráulico e cálculos específicos, de acordo com a necessidade. É possível tencionar os estais, aumentando ou diminuindo a carga de acordo com o peso sobre a passarela ou ação do vento. A variação de temperatura também pode exigir ajustes nos estais. “Cada estai suporta até 130 toneladas. Está previsto no projeto uma carga de 33 toneladas, assim temos uma grande margem, o que proporciona maior segurança para todos”, explicou o engenheiro Joaquim Freitas, da empresa Prepron, responsável pelo sistema de protensão. “Outro benefício desta tecnologia é a fácil manutenção e, por consequência, baixos custos posteriores a construção. A inspeção e manutenção será feita por dentro dos mastros, que serão ocos. Além disso, a opção por utilizar materiais nacionais, além de valorizar o mercado interno, reduz o tempo da obra, uma vez que os importados chegam no porto de Santos e demoram para obter a liberação”, detalhou o engenheiro da Semob, Rafael Ciriaco de Camargo. “Este método empregado é inovador e sofisticado. No Brasil não existem obras deste tamanho com essa tecnologia”, concluiu.
