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Confirmada apresentação de Kabul no Teatro Municipal

Por Comunicação Social / Publicado em 01/11/2011
Tempo de leitura: 6 minutos.

Depois de dois dias sem energia elétrica, devido a um forte temporal que atingiu Piracicaba na noite de sábado (29), o Teatro Municipal Dr. Losso Netto reabre suas portas para receber Kabul, espetáculo do grupo carioca Amok Teatro selecionado para o 6º Fentepira (Festival Nacional de Teatro de Piracicaba), que será encenado com entrada gratuita às 20h desta terça-feira, 1º de novembro.

Expor as faces da guerra, apresentar personagens que estão em busca de dignidade e trazer para o palco o retrato do Afeganistão é o que faz o grupo carioca Amok Teatro com Kabul. Estreada em 2009, a trama recebeu o Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro) na categoria especial para a música, executada ao vivo com instrumentos persas e afegãos.

A peça traz um Afeganistão traumatizado por 20 anos de guerras e entregue à tirania dos fundamentalistas. E trata de quatro faces da guerra, quatro retratos de um Afeganistão visto de dentro das casas, por trás das cortinas e dos véus.

Kabul partiu de duas fontes: um livro, As Andorinhas de Cabul, do escritor argelino Yasmina Kadra, e uma imagem real, uma mulher coberta com uma burca azul, sendo executada publicamente no estádio de Cabul, em novembro de 1999. A imagem, feita a partir de um celular, correu o mundo e revelou um fato tão cruel quanto distante.

O grupo optou por se aproximar e ir além da imagem que desaparece no instante seguinte da notícia. Quem poderia ser a mulher por debaixo daquela burca? Qual o seu rosto? Qual a sua estória? Levantar o véu… O que é contado em Kabul poderia ser a estória desta mulher.

O espetáculo reflete o desejo do Amok Teatro, que é o de dialogar com o tempo presente, com a violência dos tempos atuais e de buscar, atrás da crueldade e da dor, uma real humanidade. Isso também está presente na montagem anterior da companhia, o Dragão, estreada em 2008 e que aborda o conflito entre israelenses e palestinos.

Tanto O Dragão quanto Kabul surgiram após o Ecum (Encontro Mundial das Artes Cênicas), realizado em 2006 com o tema O Teatro em Tempos de Guerra. No evento, os integrantes do Amok encontraram homens e mulheres de teatro vindos do Irã, de Israel, do Iraque, da Sérvia, das favelas do Rio e de São Paulo, artistas que tiveram seus trabalhos marcados pela violência. O impacto deste encontro repercutiu sobre a escolha dos projetos do trupe carioca.

O Amok Teatro é dirigido pela brasileira Ana Teixeira e pelo francês Stéphane Brodt, que concebem suas pesquisas em dois eixos: Antonin Artaud e Etienne Decroux, de quem herdaram também uma técnica, a mímica corporal dramática.

O trabalho do Amok, que coloca o ator e a linguagem física no centro do ato teatral, se caracteriza pela busca de um rigor formal e de uma intensidade que o corpo do ator afirma como sendo o lugar em que o teatro acontece.

Em seus espetáculos, o Amok Teatro aborda temas contemporâneos, sem perder de vista a construção de uma forma teatral e poética. A encenação é para o grupo, um campo aberto às experimentações, à pesquisa de linguagem cênica, ao aperfeiçoamento das técnicas do ator e ao dialogo com as questões fundamentais de nossa época.

Desde 2003, com a inauguração de sua sede no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro, a companhia tem acolhido em suas oficinas atores vindos de diversas regiões do país. A Casa do Amok se configurou como um espaço de criação e de treinamento, onde a vida da companhia e a formação de atores estão profundamente ligadas. A casa foi comprada pelos integrantes do grupo após o recebimento do prêmio Governo do Estado do Rio de Janeiro pelo espetáculo O Carrasco.

A palavra Amok dá a um conto do escritor austríaco Stefan Zweig (1881-1942). De origem malásia, Amok significa “uma loucura, uma espécie de raiva, de dor humana… uma crise de monomania mortífera e insensata”. É frequentemente usada de uma forma mais leve, em relação a alguém ou a algo que está fora de controle.

SERVIÇO – Apresentação de Kabul, no 6º Fentepira. Terça-feira, 1º de novembro, às 20h, no Teatro Municipal Dr. Losso Netto (avenida Independência, 277, Centro). Entrada gratuita. Ingressos podem ser retirados na bilheteria uma hora antes do início do espetáculo. Classificação: 12 anos. Informações: (19) 3433-4952, www.fentepira.com.br e www.fentepira.wordpress.com.


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