Conepir lança o livro Consciência Negra em Movimento
Foi lançado ontem, 25, no anfiteatro do Centro Civico, o livro Consciência Negra em Movimento, organizado por Adilson Araújo de Abreu, diretor de Relações Institucionais do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Piracicaba (Conepir), com apoio da Prefeitura Municipal de Piracicaba e parceria com a empresa Oji Papéis Especiais. A obra é uma coletânea de biografias de homens e mulheres que se destacaram na luta pelos seus direitos e pelos direitos da comunidade negra no Brasil.
Colaboraram para a seleção várias entidades representativas, como a Fundação Cultural Palmares, Afropress, Blog Primeiros Negros, Dicionário Cravo Abin da Música Popular Brasileira, Instituto Geledés de Mulheres Negras, Quem é Quem na Negritude, entre outros. Dente os nomes se encontram pessoas ilustres de Piracicaba.

O prefeito Gabriel Ferrato disse que educação e cultura é fundamental na batalha contra o preconceito. “ A discriminação é cultural. É preciso mudar mudar isso na convivência, com a educação, desde pequeno. Este livro demonstra, com nomes locais, nacionais e internacionais, a presença do negro na história, que tanto quanto os outros são importantes na construção da sociedade. Piracicaba tem o compromisso com o enfrentamento das desigualdades, quaisquer que sejam. O Conepir vai na mesma direção, é referência no Estado, quiçá no Brasil”.
De acordo com o presidente da Conepir, Adney Araújo, o livro faz um levantamento histórico biográfico de negros e negras que ajudaram e ajudam a construir a verdadeira identidade da população negra no Brasil, pois mantiveram a tradição, resistiram às opressões e galgaram postos de destaque na sociedade. “O livro contribui para o resgate da nossa diáspora e a valorização de quem somos, de onde viemos e das lutas e batalhas daqueles que nos antecederam”, diz.

Nesse sentido, Araújo diz que a história do negro não é apenas a história da escravidão, “mas também de uma tradição rica em valores e elementos simbólicos que refletem a alma de um povo”.
Adilson Abreu explica que o trabalho faz parte de um conjunto de ações afirmativas que buscam desenvolver a autoestima do negro na sociedade e minimizar as diferenças sociais decorrentes do gênero, bem como fortalecer a aplicação de leis que fundamentam a importância da história dos negros na formação da identidade nacional.

“Esperamos que nossa humilde iniciativa contribuia para o conhecimento da
história dos afrodescendentes no Brasil e para fortalecer a necessidade do cumprimento das leis 10.639/03 – que inclui na grade curricular do ensino fundamental e médio a disciplina de história e cultura da África, reforçada pela lei 11.645/08, que inclui também as questões indígenas”.
No campo acadêmico, essas mudanças, segundo Adilson Abreu, deve fomentar muitos estudos e pesquisas “sobre a etnicidade afrodescendente e seu trajeto histórico”
A professora Marilda Soares, consultora do Conepir, elenca ainda alguns elementos importantes que devem ser ressaltados nesse contexto de lançamento do livro. “Em uma sociedade com resquícios de tradição escravista, a aceitação do princípio de igualdade encontra, ainda, alguma resistência como, por exemplo, nas discussões políticas em torno das cotas para educação e trabalho, não aceitas pelos setores sociais que se opõem às políticas reparadoras e afirmativas”.

Para ela, essa 'cultura predominante' precisa ser discutida tendo como base a temática “igualdade de direito, no sentido de abolir práticas racista explícitas ou veladas”.
O dia 25 de março foi escolhido por ter sido uma data histórica, quando se comemora internacionalmente a lembrança da proibição do tráfico no Atlântico, em 1807. Mas são comemorados também o 13 de Maio, quando se decretou o fim da escravidão no Brasil, em 1888; 20 de novembro, em homenagem a Zumbi dos Palmares, e dia 21, internacional de combate à discriminação racial, além de outras.
