A Prefeitura de Piracicaba, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente (Simap), realizou no sábado, 30/11, a 2ª Conferência Municipal do Meio Ambiente, na central de aulas da Esalq/USP. O evento, que discutiu emergência climática, contou com palestra inicial e grupos de trabalhos divididos em cinco eixos.
O prefeito Luciano Almeida e os secretários de Infraestrutura e Meio Ambiente (Simap) e de Agricultura e Abastecimento (Sema), Ronaldo Cançado e Nancy Thame, respectivamente, estiveram presentes no evento.
“Essa foi uma ótima oportunidade que possibilitou trazer luz e apresentar propostas que são, de fato, pautáveis, que podem ser aplicadas e levadas a nível estadual e a nível nacional. Precisamos que a sociedade participe, também tome a frente, em conjunto com o poder público e a iniciativa privada, dos projetos de meio ambiente”, declarou Luciano Almeida.
A palestra inicial, de tema A emergência climática: o desafio da transformação ecológica, foi ministrada pela professora Nathalia Nascimento, que é geógrafa, doutora em Ciência do Sistema Terrestre, professora do Departamento de Ciências Florestais da Esalq e coordenadora do Laboratório de Educação e Política Ambiental (OCA/USP).
“É muito importante contar com ações que estabelecem estratégias de como chamar as pessoas a entenderem a necessidade dessa situação climática. É fundamental a participação e conscientização da população”, acrescentou Cançado.
Nancy destacou a relevância de considerar meio ambiente como aspecto macro, que inclui não apenas mitigações na área urbana, mas também na área rural. “Gostaria de chamar atenção para que a gente tenha um olhar além das linhas divisórias que comumente fazemos. As mudanças climáticas estão aí e, quando falamos da área ambiental, não existem linhas na natureza. O que quero dizer é que há muito de urbano no rural e muito de rural na área urbana e, além disso, precisamos também comungar com os outros municípios, para conseguir resolver essa situação. É uma atenção que temos de ter, porque o urbano necessita de muitas medidas, mas também tem consequência do rural, que, muitas vezes, não tem a atenção necessária”, disse.
GRUPOS DE TRABALHO – Depois da palestra, os participantes foram separados em cinco grupos para discutir e propor ações relacionadas aos eixos: I. Mitigação: redução da emissão de gases de efeito estufa; II. Adaptação e preparação para desastres: prevenção de riscos e redução de perdas e danos; III. Justiça Climática: superação das desigualdades; IV. Transformação Ecológica: descarbonização da economia com maior inclusão social; V. Governança e Educação Ambiental: participação e controle social. As propostas serão encaminhadas para a etapa estadual da 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente.
Posteriormente, o evento seguiu com a candidatura dos delegados, plenária final, eleição dos delegados e apresentação dos resultados da conferência.
Joana Gabriela Coutinho Soares, do grupo Engajamundo, foi facilitadora no eixo Justiça Climática e salientou que é importante ampliar o debate sobre o assunto. “O cenário que a gente tem são os países mais ricos emitindo mais carbono, mas os lucros são para poucas pessoas. Porém, os impactos, os desastres são para muitas pessoas. E quando a gente olha para os grupos que, de fato, estão vivenciando e passando por dificuldades nesses desastres, são os grupos vulnerabilizados como as mulheres, as pessoas negras, as populações indígenas, comunidades tradicionais. É extremamente importante que a gente traga à tona este debate, para trazer essas populações também para um papel de protagonismo na construção de soluções”, explicou.
A plenária municipal foi a primeira parte da 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA), promovida pelo Governo Federal, que será realizada em maio de 2025. A segunda etapa é a conferência estadual, prevista para acontecer entre 15/01 e 15/03 de 2025.